Toda ação é criadora. É causa, é consequência. Meio e fim. Toda criação é um vir-a-ser inconstante que, entre idas e vindas, representa a manifestação do instante como acontecimento em potencial.

O pássaro que canta chega aos ouvidos e vira música. O cheiro de chuva que chega aos narizes e vira expectativa. As cores que chegam aos olhos viram quadros. Os movimentos dos corpos tornam-se dança. A palavra que palavreia e palavreando torna-se poesia. Os gestos que se recriam em cena.

O faz de conta é criador de novas possibilidades para os sons, os gestos, os blocos, as cores, os movimentos, os cheiros, os gostos, as palavras. A vida torna-se arte e a arte torna-se vida.

As necessidades satisfeitas tornam-se liberdade. O tempo e o espaço se excedem e transbordam. A função já não importa. A flor depois de polinizada torna-se exuberância sem razão de ser, torna-se ser da razão, da apreciação, da apreensão.

O objeto carrega em si sua negação e torna-se então o devir de significados que o transformam em obra de arte. A transformação estética é libertação.

Escrito por Rafael Lauro

Sou formado pelos livros que li, pelas músicas que toquei, pelos filmes que vi, pelas obras que observei, pelos acontecimentos que presenciei e pelos relacionamentos que tive. Sou uma obra aberta.

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