Deus_um_DelirioClinton Richard Dawkins é um zoólogo e etólogo evolucionista nascido em Nairóbi no Quênia no ano de 1941. Eleito em 2007 uma das cem pessoas mais influentes do mundo, além de uma das cem pessoas mais brilhantes ainda vivas pelo The Daily Telegraph, Dawkins dedica uma grande parte de sua carreira na divulgação da ciência como a visão mais adequada para interpretarmos os fenômenos ao nosso redor e atualmente é o grande nome que endossa o movimento neo-ateísta. O livro “Deus, um Delírio” foi escrito no ano de 2006 e de acordo com o site da Amazon, causou um crescimento de 50% nas vendas de livros sobre religião e espiritualidade um crescimento de 120% no número de vendas da Bíblia. Deus, um Delírio foi estruturado em três partes essenciais (independentes da divisão em capítulos). Inicialmente o discurso se organiza ao redor da possibilidade ou não da existência de um Deus pessoal ou coletivo. O autor aborda de forma extremamente lógica argumentos que refutem a possibilidade da existência de um ser supremo que tenha criado nossa realidade, entretanto a meu ver este não é o intuito principal do livro. A Segunda parte do livro evidencia as implicações morais da religião, tal como o problema da doutrinação religiosa em crianças, como podemos ver no trecho abaixo:

“Um ano, na época do Natal, meu jornal diário, The Independent, estava procurando uma imagem apropriada para período natalino e encontrou uma de um ecumenismo reconfortante, uma peça escolar sobre a natividade. Os Três Reis Magos eram representados, como dizia radiante, a legenda, por Shadbreet (sikh), Musharaff (muçulmano) e Adele (cristã), todos de quatro anos de idade. Lindo? Reconfortante? Não, não é, nenhum dos dois; é grotesco. Como qualquer pessoa decente pode achar certo rotular crianças de quatro anos com as opiniões cósmicas e teológicas de seus pais? Para entender, imagine uma foto idêntica, com a legenda modificada para o seguinte: “Shadbreet (keynesiano), Musharaff (monetarista) e Adele (marxista), todos de quatro anos de idade”. Não seria essa legenda uma candidata a cartas iradas de protesto? Certamente. Mas, por causa do status estranhamente privilegiado da religião, não se ouviu nem um pio, como não se ouve em nenhuma ocasião semelhante. Só imagine a revolta se a legenda dissesse: “Shadbreet (ateu), Musharaff (agnóstico) e Adele (humanista laica), todos de quatro anos de idade”.

Dawkins1Neste momento, o ápice da indignação do autor, Dawkins discute filosoficamente as implicações de uma vida sem divindades. Segundo o autor, o ateísmo não implica em uma existência egoísta e desinteressada, muito pelo contrário, ele nos possibilita nos vermos todos como resultados de fenômenos circunstanciais que culminaram em nossa existência, logo, não há motivos para jihads, Holocaustos e discriminação (pelo menos não em função de uma verdade absoluta de cunho religioso). Finalmente Dawkins já em suas últimas páginas declara seu amor pela ciência, e nos alerta de que se retirarmos a burca que atrapalha nossa visão, poderemos ter acesso à verdadeira beleza que nos cerca e no melhor estilo Carl Sagan professa sua admiração e esperança no conhecimento científico, que segundo Dawkins é a ferramenta ideal para nos ajudar a ver além do monte do improvável:

“…Será que podemos, pelo treino e pela prática, nos emancipar do Mundo Médio, rasgar nossa burca negra e alcançar algum tipo de compreensão intuitiva além de meramente matemática daquilo que é pequeníssimo, grandíssimo e rapidíssimo? Genuinamente não sei a resposta, mas fico muito feliz de estar vivo numa época em que a humanidade tenta superar os limites do entendimento. Melhor ainda, talvez acabemos descobrindo que os limites não existem.”

O livro todo é escrito como uma mensagem de otimismo, com linguagem acessível e fluida que motiva os especialistas e facilita muito a vida dos leigos. Dawkins não economiza argumentos para criticar toda e qualquer atividade religiosa, entretanto sempre deixa claro seu amor e respeito pelo ser humano. Deus, um Delírio é um livro que cumpre com excelência o papel que o foi designado e uma leitura imprescindível a ateus e teístas.

– texto por Miguel Angelo Lebre.1280px-Ariane_Sherine_and_Richard_Dawkins_at_the_Atheist_Bus_Campaign_launch

Escrito por Miguel Lebre

Um Estudante de Psicologia extremamente apaixonado pela arte e pelo conhecimento. Tento traçar meu caminho intelectual considerando as inúmeras possibilidades de subversão que nos são subtraídas diariamente e espero através deste Blog compartilhar um pouco de minha visão de mundo com todos.

8 comentários

  1. Sabedoria popular.

    Aprender religião e fácil. Quando criança aprende-se em casa sem escolas. Na fase adulta faz pós-graduação sem freqüentar nenhuma faculdade. Mesmo sem um ensino acadêmico, a maioria dos religiosos se mostra peritos em teologia, transformando até em professores de parentes e amigos de sua convivência, e para completar se sentem superiores em relação a seus semelhantes não religiosos, sem contar a euforia que sentem de estar já com passagem garantida para as delicias do paraíso. Isso dá ou querem mais.

    Paulo Luiz Mendonça.

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  2. Pois é, isso muda completamente os parâmetros, nossas atitudes ou ausências delas até aqui. Sua leitura pode ser perigosa…

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  3. Livro esclarecedor, escrita acessível e empolgante – recomendo principalmente a ateus que não sairam do armário (como diz o próprio Dawkins) me senti muito mais convicto de quê certas superticoes só servem para nos manter afastados de fatos reais e isso é horrível. obrigado Richard Dawkins.

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  4. Realmente, vivemos uma época em que duvidar é maravilhoso. Já colaborei com entidades ateias, apesar de não ser ateu. Só tenho a certeza de que Deus não é esse monte de excremento que essas religiões imundas pregam, sobretudo as oficiais, catolicismo e protestantismo. Há poucas horas, passei por pregadores fanáticos evangélicos, distribuindo suas revistas e bênçãos, no centro de Santo André – SP, e fugi deles, para não me irritar. Se tivessem vindo me abordar, eu iria dizer que sou ateu, para afastá-los de vez. Realmente, aplaudo de pé pessoas como Richard Dawkins e entidades ateias, que ousam se levantar contra o monte de estrume que sai da boca de muitos padres e pastores. Meus parabéns, e a vitória, cada vez mais, é dos livres pensadores.

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  5. ENGRAÇADO ,ESSE RICHARD DAWKINS PASSA MAIS TEMPO DA SUA VIDA CRITICANDO RELIGIÕES CONFRONTANDO LIDERES RELIGIOSOS POR QUE NÃO PROCURA USAR ESSE TEMPO E ESSE TAL AMOR PELA CIÊNCIA ,PESQUISANDO ARTIGOS E FAZENDO PROJETOS QUE MELHOREM O SEU PAÍS . PARA MIM ELE É UM SER VAZIO ,ARROGANTE QUE NÃO ACEITA A EXISTÊNCIA DE ALGUÉM SOBERANO PELA SUA PREPOTÊNCIA,E MEDIOCRIDADE .

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  6. hahahah taitane vc tem piada falando assim de um dos maiores génios da atualidade.
    ~ele não critica quem acredita em divindades, ele critica a forma como a religião é usada, a manipulação que e exercida nas mentes jovens e inocentes…Ele critica o lixo que abunda nesta sociedade, é um facto, ele não acredita na possibilidade da existência de um deus, e eu tb não pq não tem logica alguma , mas respeito por completo quem discorda, so não me diga que a religião tem uma face muito negra e poucos são aqueles que conhecem os escritos bíblicos, e mais provável um ateu saber a bíblia que um cristão devoto. eu não posso provar a inexistência de deus e vc pode provar a sua existência? nenhum de nos pode por isso limitemo nos ao respeito mutuo.No final logo saberemos…..ou não ahahah

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  7. Não precisa ser um escritor famoso para perceber os abusos que existiram e existem nas religiões, mas interessante notar que muitos abusos cometidos pela religiões ditas cristãs são mais pelo afastamento dos ensinos bíblicos do que por seguir as orientações bíblicas, a igreja é formada por humanos e nós humanos todos erramos, mas temos o privilégio de pedir perdão à Deus pelos nossos erros, porque o Senhor Jesus pagou o alto preço pelos nossos erros,mas se sou ateu a quem pedirei perdão pelos erros se ao menos sei se tal teoria que tento defender está correta e são apenas hipóteses ou especulações?

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