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Há poucos dias vimos a declaração do CEO da Abercrombie, Mike Jeffries, dizendo que a marca não fazia tamanhos de roupa para gordos porque (sic) “ele não quer pessoas grandes comprando na sua loja, ele quer pessoas magras e bonitas”. A reação foi geral, o que sinceramente me impressionou: a questão da ditadura da beleza é explícita mas não podemos manifestá-la com palavras? É o tipo de coisa que todo mundo sabe e mantém, mas não se pode falar?

Pois é, mas fica pior. A reação social conseguiu superar o preconceito de Mike Jeffries. Como protesto, surgiram algumas iniciativas de doar as camisetas para mendigos. Entenderam? Como protesto por uma campanha preconceituosa, realizamos outra atitude preconceituosa para prejudicar a marca. A reação social se utiliza da mesma arma que produz o preconceito: exclusão. Quando a Abercrombie diz que não quer sua marca associada aos gordos é porque ela possui preferência por determinadas figuras estéticas em detrimento de outras; e nós para protestar fazemos o mesmo: nos utilizamos de personagens marginalizadas e menosprezadas. Precisamos aceitar o que Jeffries diz para poder criticá-lo, mas ai, já perdemos o argumento durante o processo. Preconceito para curar o preconceito. Uso da própria causa do problema como solução!

Esta situação apenas torna explícita o quanto estamos imersos em figuras sociais valorizadas e estigmatizadas, e isso vale para todos nós! Um protesto autêntico e genuíno abdicaria de se utilizar de imagens socias como base de comparação de valores. Basta imaginar a situação contrária para vermos o contra-senso: “CEO da Abercrombie diz para não doar suas camisetas para mendigos porque isso denigre a marca”, reação: “protestos contra a declaração de Jeff Jeffries incita pessoas a doarem suas camisetas para gordos”. Não soa absurdo?

Para mim, a própria marginalização de certas figuras sociais deveria ser usada para criar possibilidades novas de se manifestar. A marca não produz camisetas GG? Ok, pessoas acima do peso protestam usando camisetas pp. O lúdico como protesto evita que usemos outro ser humano como referencial negativo.

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Escrito por Rafael Trindade

"Artesão de mim, habito a superfície da pele" Atendimento Psicológico São Paulo - SP Contato: (11) 99113-3664

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