desenho-planka-para-camisetaSó para constar, não é uma piada. O ato seria para expressar o descontentamento com a instituição. Primeiramente, vale dizer, não sou contra a segurança no campus. Por mim, os Mackenzistas podem continuar a desfilar com seus Iphones sem serem incomodados.

Mas minha pergunta permanece: para que servem essas catracas? O que nossa instituição tanto teme? Talvez para criar uma ilha de pessoas, isolada de algo que há lá fora. Mas não deveríamos formar alunos para mudar o mundo ao invés de fugir dele? Que exemplo de cidadania o Mackenzie dá ao fazer isso? Ele que está presente em inúmeros projetos sociais, que se propões a mudar o modelo de universidade com o trote solidário por exemplo… não faz o menor sentido fechar-se atrás de muros, grades e catracas. A cerca que nos protege é a mesma que nos limita e afasta uns dos outros. Além do mais, sabemos que a grande maioria dos furtos realizados no Mackenzie é feito pelos próprios alunos ou funcionários.

Como uma criança que não sai do colo da mãe, e por isso fica cada vez mais insegura e com medo, estamos trilhando um caminho que nos afasta daquilo que deveríamos nos apropriar, nos faz temer aquilo que deveríamos enfrentar. O mundo é nosso, a rua é nossa, aqueles que estão nela são nossos concidadãos, não nossos inimigos. Quando houve a ocupação da Sorbonne pelos universitários franceses em maio de 68, eles carregavam bandeiras com os dizeres “Universidade para o povo” e “A universidade é para todos”. Que sinais carregaríamos hoje? “Muros mais altos”.

Talvez nossa universidade esteja passando por um processo de “mercantilização”, talvez o aluno, o campus e a biblioteca sejam somente ferramentas para a obtenção do lucro que Lutero tanto criticava. Acho que ainda não, e espero que o Mackenzie não se torne mais uma Universidade regulada exclusivamente pelas leis de mercado. O primeiro passo seria não isolar-se, mas sim lutar pela democratização do ensino de qualidade, abrir-se cada vez mais para a população e deixar que a Universidade e seus arredores se tornem um só. Mas infelizmente a implantação de catracas nos mostra que estamos caminhando no sentido oposto. 

– escrito à quatro-mãos por Miguel Lebre e Rafael Trindade.

Catraca_Liberada_Avai

PS: para argumentos científicos, vale procurar sobre psicologia ambiental, que estuda os efeitos da condição do ambiente no comportamento dos indivíduos. Talvez arquitetos estejam ainda mais bem preparados para falar sobre o assunto.

> este texto pertence à coluna de Cotidiano <

Escrito por Rafael Trindade

Artesão de mim, habito a superfície da pele.

16 comentários

    1. Se você está insatisfeito com o Mackenzie amigo saia!!!!, Universidade para todos? eu acho que você está confundindo as coisas, a universidade de todos e para todos e por todos é no Largo de São Francisco, essa é uma universidade particular que presta serviços a comunidade, inclusive oferecendo bolsas,das quais eu acho que você se beneficia.Essa é uma universidade confessional, você diz:”nossa instituição” , lamento amigo mas se você não é presbiteriano, não tem nada de “nossa instituição” é a mesma lógica em: “a nossa lanchonete” pois eu faço refeições todos os dias lá.

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  1. A ignorância do fato de que é da divergência e da diversidade que se produz a vitalidade, em nome da representação falaciosa da segurança através do isolamento. Você comentou que talvez arquitetos talvez pudessem participar da discussão, uma das principais bases teóricas que usamos nesse sentido é “Morte e Vida das grandes cidades americanas” da Jane Jacobs. Duas citações dessa fonte apenas como ponto de reflexão:

    “There is a quality even meaner than outright ugliness or disorder, and this meaner quality is the dishonest mask of pretended order, achieved by ignoring or suppressing the real order that is struggling to exist and to be served.”

    “The trouble with paternalists is that they want to make impossibly profound changes, and they choose impossibly superficial means for doing so.”

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  2. Quando eu reclamei na secretaria sobre as catracas, deram uma explicação vaga sobre como também era por causa da agência do itaú e dos caixas eletronicos que têm lá dentro, por ela ser relativamente mais insegura que o padrão de agências. Se for esse o caso, talvez a luta seja por exterminar a agencia em si, não?

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    1. então talvez o problema sejam os bancos e, consequentemente, o dinheiro (propriedade privada, talvez?). Pois é… o pensamento vai longe!

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      1. Se a questão for a(s) agência(s) bancária(s) no interior do campus, que apenas este(s) espaço(s) seja(m) mais rigoroso(s) com relação à segurança. É possível reformular a agência do Itaú, por exemplo, para adequá-la ao padrão que achem adequado ou necessário. O campus não tem nada a ver com isso. Essa história de que as catracas são por conta dos bancos, é desculpa esfarrapada. Ou então, que transfiram a agência do Itaú pro edifício da pós (Calvino) e, apenas neste edifício, façam uma segurança diferenciada.

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    1. quis dizer que deveríamos nos apropriar do espaço público ao invés de segregar-nos. Me parece um caminho mais difícil mas definitivo ao invés de ficar fugindo, se escondendo e não solucionando o problema.

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      1. Espertalhão, o Mackenzie NÃO É ESPAÇO PÚBLICO.
        ” …uma ilha de pessoas, isolada de algo que há lá fora.” Amigão ninguém está sendo obrigado a permanecer dentro do campus contra a própria vontade, usando o meu cartão do TIA eu posso entrar e sair quando bem entender. As catracas apenas garantem que o espaço dos mackenzistas fique EXCLUSIVAMENTE para os mackenzistas. Pagamos mensalidade ou nos esforçamos para manter a bolsa de estudos para NÓS usufruirmos daquilo que a Instituição tem a oferecer, não os folgados de fora. Queria ver você estar na fila do banco dentro do Campus, atrasado pra aula, e ouvir algumas pessoas à sua frente se gabando de estar alí mesmo não sendo alunos. Os serviços bancários, a xerox, a praça de alimentação, as aulas TUDO QUE ESTÁ DENTRO DO CAMPUS é para os alunos e funcionários da Instituição e não para os folgados de fora.

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        1. Algumas pessoas apenas estão mais dispostas à dividir do que outras. Não vejo estas pessoas como folgadas, provavelmente se elas estão lá dentro é porque lá fora tem filas gigantes e muito piores. Eu sei que mensalidades são pagas, mas os serviços lá de dentro é que pagam para estar lá, os “folgados” podem comer lá também.

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        2. Felipe, pelo seu discurso, você parece ser o tipo de pessoa que acredita que o papel da Universidade é garantir pra você um bom emprego no futuro. Você não tem consciência do que é ser estudante universitário e qual o papel desse futuro profissional junto à sociedade. Na verdade, deve achar esse meu discurso pura bobagem. Mas Universidade é mais do que apenas o local onde você obterá seu diploma que irá garantir (ou não) um bom salário. Ser universitário é fazer parte de um grupo de pessoas que tem capacitação e qualificação pra intervir e mudar (pra melhor, espera-se) os rumos da sociedade e do país. E isso começa pela formação crítica e de discernimento que o estudante desenvolve sobre a realidade que o cerca. Universidade de qualidade, seja pública ou privada, tem um compromisso que vai muito além do mundinho interno da própria instituição. E a mensagem que o Mackenzie passa ao se isolar do entorno é de que o diálogo e a troca não interessam pra essa Instituição. Talvez pra você isso seja muito blá blá blá (infelizmente). Mas vários estudos em arquitetura, psicologia, sociologia e geografia mostram que essas posturas tem impactos negativos no médio e longo prazo. O Mackenzie não esteve aberto à comunidade durante tantas décadas à toa. Ele sempre teve consciência do seu papel junto à sociedade. Mas parece que o foco agora é outro (apenas ganhar dinheiro e formar profissionais alienados).

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  3. Sou formado em arquitetura nessa instituição. Esse tipo de atitude me envergonha e é extremamente contraditória. Aprendemos algo dentro da instituição que ela própria não acredita.
    Parabéns pelo texto e espero que todos lutem contra isso, para o bem não só do Mackenzie mas da cidade como um todo.

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  4. Minha opinião sempre se divide quando o tema é muros e catracas. Aqui, na USP, existe a mesmíssima discussão, tendo havido inclusive um peblicito na FEA para discutir o tema (no qual as catracas venceram devido ao modelo duvidoso de democracia adotado, o que não vem ao caso). Meu ponto é que talvez no Mackenzie, catracas façam sentido. A Universidade é uma instituição privada, instaurada pra dar instrução técnica e acadêmica àqueles que pagam por isso. É justo pensar que a segurança é um fator chave para que as pessoas tenham um incentivo a consumir o serviço, como num restaurante, hotel, ou qualquer outro espaço privado. É óbvio que, com a entrada controlada, espera-se que cerca de 100% dos crimes cometidos lá dentro, sejam executados por funcionários, alunos ou magia negra. Sua amostra está enviesada.

    O que me pergunto é o significado real, em termos práticos, dessa abertura. “…deixar que a Universidade e seus arredores se tornem um só”, “…uma ilha de pessoas, isolada de algo que há lá fora.” são frases bonitas, mas vazias de senso prático. O que ganhariam abrindo o Mackenzie? Muito provavelmente uma nova passagem para o metro, novos abrigos de chuva para mendigos e violência. Não vejo um cidadão comum aproveitando seu horário de almoço para entrar na faculdade e assistir uma aula, participar de um sarau ou buscar um livro na biblioteca. Para isso existem as universidades PÚBLICAS. O nome as define.

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    1. realmente… as universidades públicas devem/podem cumprir este papel. Mas eu acho que todas as universidades têm este dever ético. Concentrar conhecimento, centralizar ideias, levantar barreiras só atrapalha a questão. Pode ser só ilusão, ou frases bonitas, mas o Mackenzie abria um espaço de passagem que de certa forma influenciava as coisas lá dentro. Pode ser comer um lanche, pegar um livro, assistir uma aula sem estar matriculado (para conhecer o curso).
      Na verdade tudo isso ainda poderá ser feito, mas as catracas restringem, atrapalham, inibem. Tanto para o bom como para o ruim. Parece impossível e utópico, mas pequenas coisas como assistir uma palestra ou evento de música terão menos pessoas agora com as catracas, porque agora temos mais uma barreira no acesso à universidade.

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