3,20 não

Esta sexta feira, dia 7, eu fui na manifestação organizada pelo Movimento Passe Livre contra o aumento das passagens de ônibus e metrô. Violento? Não tanto quanto imaginei. Pichações? Sim, em alguns momentos. Vândalos? Raríssimos. O principal: o que acontece na rua não é o que passa na televisão.

O modo como os meios de comunicação dão a notícia chega às raias do absurdo. É inacreditável ver as manchetes nos jornais do dia seguinte. Desta forma, não é difícil entender por quê as pessoas mais afetadas pelo aumento são aquelas que não saem de casa nem se juntam a nós. “Vem pra rua, vem contra o aumento!!”, me lembro de ter gritado isso várias e várias vezes, com força, mas realmente não consigo encontrar uma resposta. 500 pessoas? Mil pessoas? É pouco, devia ter 1 milhão! Até mais! Mas elas ficam alheias, olhando, preferem tirar fotos de nós como se fôssemos animais em extinção. Isso quando não reclamam do sagrado trânsito da cidade de São Paulo.

“SP: protesto contra aumento de passagens causa nova confusão”, esta foi a chamada de um dos maiores jornais do Brasil. Algumas lojas fecharam as portas mais cedo e os trabalhadores foram para casa. Para casa? Mas eles são os principais afetados pelo aumento, eles deveria ficar e exigir um transporte público mais justo junto com a gente. O problema é que frases como essa, “a manifestação de quinta-feira assustou os moradores. Pichações, bancas de jornais depredadas”, as pessoas ficam com medo no momento em que deveriam ter coragem. Os estudantes precisam encontrar uma maneira de aproximarem-se cada vez mais das classes trabalhadoras. Talvez com criatividade, espontaneidade, como em maio de 68 em Paris.

Somos contra o aumento da tarifa para 3,20. Sim, 20 centavos é muito para quem tem pouco. E estamos dispostos a protestar. Política se faz na rua, não no sofá de casa. As mídias sociais ajudam, e esperamos que esta ajude, mas não pode parar aí. Não somos diferentes dos manifestantes da Turquia, estamos lutando pelo que acreditamos e nos apropriando do espaço público, que por sinal não é dos carros, mas de todos nós. Abaixo assinados são bons, mas a rua é melhor; discutir e se informar é bom, mas é possível ir além. É um direito nosso estar insatisfeito, protesto é democracia, quando não houverem mais protestos é que as coisas estarão mal. Mas você acha violento demais? Pois não fique vendo muito jornal, vá um dia, fique longe ou fique perto, você verá que as coisas não são como aparecem na televisão.

Terça-feira tem outra. Vai ser maior. Todos, repito, TODOS estão convidados.

3,20

Escrito por Rafael Trindade

"Artesão de mim, habito a superfície da pele" Atendimento Psicológico São Paulo - SP Contato: (11) 99113-3664

3 comentários

  1. Alienado? O cara foi pra rua ver ao vivo o que é o movimento, sugere que as pessoas se envolvam e que não fiquem apenas com o que a TV mostra e ele é que é o alienado? Vai ver o conceito de alienação mudou e eu não fiquei sabendo…

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  2. Bom, acredito que os acontecimentos da noite de ontem tenham tornado esse texto no mínimo inválido. Ônibus queimado com passageiros ainda tentando sair, estações de metro totalmente depredadas, civis atropelando manifestantes, lixo por toda a parte, pixações, 16 presos (dos quais 10 responderão criminalmente por seus atos) e a retirada do convite do prefeito Haddad para conversar com os manifestantes. Estes foram o resultado do caos desordenado das manifestações desta terça.

    A justificativa dada pelos “líderes” do movimento foram que os vândalos não eram pessoas ligadas ao movimento oficial e protestavam por seus próprios motivos. Oras, isso não é justificativa, é? Da mesma forma, o que ocorreu em SP não é protesto, é vandalismo gratuito. É expressar a raiva social da maneira mais covarde possível, escondendo seu rosto atrás de camisas e escondendo seu caráter e civilidade atrás de uma suposta causa justa.

    Primeiro, reflita sobre o movimento em si. A reivindicação faz sentido? Como o autor bem sabe, minha opinião, como economista e sociólogo informal é de que não há o menor cabimento nos argumentos de quem é contra o aumento (mais do que justo, diga-se de passagem).

    Segundo, reflita sobre o método. Esta é a melhor forma de protesto? Defender os direitos dos cidadãos atrapalhando a vida destes cidadãos? Defender que o governo arque com os custos do transporte impondo mais custos ao governo com a reconstrução dos atos de vandalismo? Defender a justiça através de crimes?

    E por fim, proponho uma reflexão sobre os esforços empregados. O movimento que causou toda esta repercussão não deveria ser o mesmo a estar de olho na votação da desoneração da cesta básica, da CPI do Mensae na MP dos Portos. Todas essas leis foram votadas ou serão votadas nos últimos/próximos dias. Ninguém nas ruas protestando contra Senadores que defendem a continuidade do voto secreto no Senado e na Câmara. Me pergunto por que os brasileiros, que pouco se manifestam, quando o fazem vão para as ruas contra a extinção de benefícios bizarros (bizarros pois Bolsa-Família não se vê em muitos outros países, Transporte Público gratuito tampouco…) ou contra violências pontuais que, por alguma razão, ganham espaço na mídia em detrimento de outros acontecimentos.

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