O publicitário não se contenta com o real, ele precisa vender ideias, exatamente como o padre. Nunca pensaram nisso? Para eles o mundo é muito pouco, não é chamativo e sedutor o bastante. Por isso eles precisam criar conceitos que se sobreponham à vida.

O publicitário é um padre. Por que? O que vemos em um comercial? O carro não pega trânsito, a mulher de biquíni e photoshop, o celular funciona em qualquer lugar, o banco é nosso amigo. Resumindo, mentiras! E onde encontrar o que nos vendem os produtos? É impossível, é uma utopia (do grego: lugar que não existe). Somos constantemente enganados e muitas vezes não nos damos conta disso. Vivemos comprando os sonhos que nos vendem, mas estes sonhos não se realizam; nos perdemos entre produtos e marcas mas nunca achamos o que nos oferecem; andamos por corredores de shoppings, mas nunca chegamos onde queremos: “o desejo não pode ser satisfeito” dizem os publicitários. Mas o desejo não precisa ser satisfeito, ele basta a si próprio! Eu digo: o desejo não é falta, ele quer a si mesmo.

O padre é um publicitário também, ele vende o céu, ele vende outro lugar, uma existência melhorada ou, pensando bem, um mundo ao contrário. Mas eu só conheço este e até hoje não tive notícias de outro. O religioso diz: “Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” [1Jo 2:15]. Mas Deus é um ladrão, ele nos rouba o real! Se estamos fracos, o padre nos diz que isso é bom, tem um porquê. Se sofremos o padre nos aconselha a pedir perdão. Somos sabotados e passados pra trás, ele nos dá um terreno no céu e pede paciência.

A publicidade vende o nada, os padres pregam o nada. Pois bem, estamos cansados de padres, e também de publicitários.

Propaganda de desodorante que faz os anjos caírem do céu, mistura entre idealização e realização dos desejos
Propaganda de desodorante que faz os anjos caírem do céu, mistura entre idealização, consumo e realização dos desejos.

Escrito por Rafael Trindade

Artesão de mim, habito a superfície da pele.

8 comentários

  1. Sensato, muito sensato tudo isso. Propaganda de banco deveria ser proibido por motivos morais e éticos! Quanto ao padre, vou colocar ele no patamar de religioso, para poder incluir os pastores também. Tem céu por aí que não dá nada não. Tem que pagar 10% de tudo. Tudo mesmo!

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    1. Por que a propaganda especificamente do banco é imoral e anti-ética? Do que ela difere da propaganda do carro, do seguro, do cigarro, de imóveis, do governo?

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      1. Hey Diego!

        Do governo e do seguro, não muito mesmo, o motivo se mantém. Do carro, do cigarro e dos imóveis, diria que não se enquadram no mesmo motivo pois vendem um produto. Se o uso daquele produto vai lhe proporcionar a felicidade e satisfação da propaganda é outra questão. Mas eles tem algo a vender.

        Usei o banco como exemplo por causa do texto. O Banco não oferece nada, ele não pode lhe proporcionar uma vida feliz, como a propaganda diz. Banco é uma instituição com a única função de usurpar do cliente um teco do seu dinheiro a troco de absolutamente nada, e o sistema o obriga a usá-lo. Você paga para entrar num sistema que tem a única função de te ludibriar. Se você não tem uma conta no banco você não recebe salário, não recebe bolsa família, por exemplo.

        Ter uma conta no banco não é um direito, nem uma obrigação, é uma opção, e não te dão a opção de não ter. Em alguns casos não posso comprar um carro se não tiver conta em banco, nem um casa, porque algumas concessionárias de veículos e imobiliárias não aceitam pagamento em dinheiro. Então eu tenho que pagar um carro, uma casa, e um maldito banco! Muitas lojas on-line não me dão a opção de pagar por boleto bancário, então eu pago um livro e o cretino do banco. Nas relações onde esta envolvido o banco tem a função de parasita!

        Enfim, não gosto de banco mais de que outras instituições por estes e outros motivos.

        Abs!

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        1. É uma visão muito interessante e muito comum às pessoas que enxergam as instituições financeiras através do olhar do consumidor regular. No entanto, tenho que discordar de alguns pontos e pretendo através disso elucidar sua opinião para que você (e os articuladores deste blog, pois acredito que eles compartilham da sua visão de certa forma) possa ajustá-la e defendê-la com maior propriedade no futuro.

          Primeiramente o banco vende sim um serviço: o serviço de custódia. Ele guarda seu dinheiro para você e ainda te paga por isso! O serviço que ele cobra pela OPÇÃO de ter uma conta, refere-se ao sistema (caixas, agências, ATMs) e funcionários. Digo opção pois de maneira alguma você é obrigado a ter uma conta. Toda troca de valores é obrigado por lei a aceitar no mínimo o meio de pagamento mais líquido disponível, ou seja, o dinheiro. (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0857.htm)

          Me choca ao ver como muitas pessoas enxergam o sistema financeiro como uma entidade inútil e maléfica. O banco oferece serviços, comodidade, opções e recursos, principalmente, e cobra por isso. A igreja também oferece coisas: conforto, respostas, doutrinas e cobra por isso também.

          Enfim, there is no free lunch!

          Espero ter ajudado ae!

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          1. concordo que o banco oferece um serviço e cobre por isso (do mesmo jeito que a igreja também oferece alguma coisa em troca do dízimo)…

            mas será que é isso que queremos? Ele não é inútil, mas pode não ser a melhor opção. Ele não é maléfico, mas é certamente muito poderoso e influente, algo que pode não nos beneficiar.

            Igrejas e Bancos são incômodos necessários, mas não essenciais. Somos coagidos (apesar da “liberdade”) a agir de certas maneiras que nos trazem conforto e segurança, mas cobram um preço muito alto em nossa vida.

            O cara que quebra o banco não sabe o quê está errado na sua vida, mas sente que há alguma coisa errada, ele desconta no Deus atual, o dinheiro.

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