O Fenômeno social conhecido por modernidade emergiu como um conjunto de fatos que reorganizaram a forma do homem pensar e se relacionar com outrem. Podemos destacar dentre estes fatos a desdivinização da terra, o homem como centro das preocupações terrenas e sobre tudo a criação do conceito de indivíduo. O indivíduo é o ser capaz de se relacionar por si só com o divino e com o mundano, sem a intercessão de sacerdotes ou mediadores, de forma que se faça possível a convivência em sociedade construindo e preservando suas ideias e particularidades. Para alguns ultrapassamos a modernidades há tempos e portanto somos sujeitos pós modernos, por tanto possibilitando uma nova gama de comportamentos positivos ou negativos, entretanto manteremos por uma questão didática a modernidade como padrão, uma vez que o conceito se faz suficiente para a compreensão da linha argumentativa do texto. Apresentarei também uma forma de comportamento que á rigor anulam algumas das características que anulam a existência individual descrita acima. O comportamento de massas.

O fenômeno do comportamento de massas, extremamente difundido pelos Psicólogos Gustave Le Bon e Sigmund Freud consiste em uma forma de comportamento caracterizada por uma adesão irracional a um propósito, ou seja, deixamos de ter um vínculo reflexivo com determinada ação em função de uma atitude predominantemente passional. Com a compreensão do fenômeno de massas os meios de comunicação passaram a usar a adesão irracional como forma predominante de garantia do vínculo produtor-consumidor, ao fenômeno de apropriação da massa pelos meios de comunicação chamaremos de indústria cultural.

Nunca tivemos tanta facilidade ao acesso de informações, aparentemente os meios de comunicação se adequaram a todo nicho social, ainda que vivamos em um país de terceiro mundo onde as desigualdade sociais são latentes, somos abraçados por doces palavras que nos confortam e nos mostram a “realidade como ela é”. Tudo isso motivado pela imensa benevolência midiática, correto? Não. Podemos à partir da definição de massas compreender a intenção da “Mídia de massas” que nasce como uma forma de controle e não como uma bondosa forma de democratização da informação.

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Atualmente somos nivelados pela indústria da informação que nos vende emoções travestidas de racionalidade, religiosidade e moralismo em forma de tecnologia e a exploração como a mais bela forma de cooperação. Esta indústria é de extrema importância para a manutenção do status quo e para que este fim seja devidamente assegurado uma série de ferramentas foram criadas para garantir o acesso do cidadão à mídia de massas, ao conjunto destas ferramentas chamaremos de Ditadura da Informação.

Os elementos ditatoriais estão presentes em nosso cotidiano e constituem uma das mais poderosas formas de controle da atualidade. Tomemos como exemplo o exame nacional do ensino médio, exame que nasceu com a ânsia de selecionar para o ingresso no ensino superior pessoas que tivessem sobretudo a capacidade de formar sua própria opinião, transpondo as barreiras da reprodução do conhecimento. Ocorre que hoje o foco do Enem mudou, sua nova ênfase segue a tendência da supervalorização e da reprodução do conhecimento midiático de massas. Citei o Enem como exemplo mas as formas de controle não estão restritas ao contexto do ensino, o mercado de trabalho tem como uma de suas principais exigências um sujeito “bem informado” que consuma diariamente boas doses da mais fictícia das realidades.

Ora, uma vez que consideramos uma das principais características da modernidade a possibilidade da relação com outrem e da produção do conhecimento em algo conhecido como Subjetividade privatizada ou seja, a plenitude da vivência humana deixa de ser pautada em valores estruturais (ou seja, organizados referencialmente pelo coletivo) e esta forma de subjetividade desencadeia a formação do indivíduo moderno, devemos considerar essa nova forma de imposição de novas verdades e a valorização da reprodução de um conhecimento adquirido (independentemente da fonte de aquisição) e nos atentarmos para uma questão que apesar de alarmante só poderá ser respondida longitudinalmente: estamos através da Ditadura da Informação, participando ativamente do processo de formatação do indivíduo? Ao meu ver o processo é plausível.

Passamos a incorporar valores muito mais ligados ao espírito de nossa época do que à nossa própria visão acerca do mundo, nossas condutas estão extremamente ligadas aos interesses das mais diversas instituições, e por mais diversas que estas sejam o ponto culminante é sempre o Capital. Apesar da estruturação desta forma ditatorial de vida estar extremamente estabelecida há uma luz ao fim do Túnel: a emancipação intelectual.

A possibilidade de produzir, acumular e transferir conhecimento, e portanto informação, nos tirou da condição de Animais irracionais, portanto a culpa de nosso cativeiro não está na informação em si, mas sim no caráter ideológico com que a usamos, entendamos como ideologia o sentido freud-marxista do conceito, onde a rigidez de conceitos irrefletidos impossibilita a transformação social. Quando falo em emancipação intelectual, pretendo objetivar a possibilidade do uso da informação (seja ela jornalística, científica ou filosófica) na formação ou no resgate (se é que um dia existiu) do sujeito crítico e reflexivo e que portanto constrói a partir de seu repertório intelectual um mundo ético, crítico e por fim livre.

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Este texto faz parte da série “Regime Ditatorial de Valores“.

Escrito por Miguel Lebre

Um Estudante de Psicologia extremamente apaixonado pela arte e pelo conhecimento. Tento traçar meu caminho intelectual considerando as inúmeras possibilidades de subversão que nos são subtraídas diariamente e espero através deste Blog compartilhar um pouco de minha visão de mundo com todos.

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