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As regras do Clube da Luta:

  1. Você não fala do clube da Luta;
  2. Você NÃO fala do Clube da Luta;
  3. A luta só acaba quando alguém disser “pare” ou perder os sentidos;
  4. Só duas pessoas em cada luta;
  5. Uma luta de cada vez;
  6. Sem camisa, sem sapatos;
  7. As lutas duram o tempo que for necessário;
  8. Se esta é a sua primeira noite no Clube da Luta, você tem que lutar.

Quebrando as duas primeiras regras, pretendo fazer uma análise deste filme que tanto me marcou. Lançado em 1999, o filme traz Edward Norton (narrador), no papel de um americano de classe média com uma vida medíocre e sem perspectivas, e Brad Pitt (Tyler Durden), representando tudo que o narrador quer ser mas não tem coragem. Adaptação do livro de Chuck Palahniuk, Clube da Luta é uma Ode contra a nossa grande depressão atual: nossas vidas:

Tyler Durden: Somos uma geração sem peso na história, cara. Sem propósito ou lugar. Nós não temos uma Grande Guerra. Nem uma Grande Depressão. Nossa Grande Guerra é a guerra espiritual… nossa Grande Depressão são nossas vidas. Todos nós fomos criados vendo televisão para acreditar que um dia seríamos milionários, e deuses do cinema, e estrelas do rock. Mas nós não somos. Aos poucos vamos tomando consciência disso. E estamos muito, muito revoltados.”

Esta é a razão de ser de todo filme, todos os personagens vivem a grande depressão espiritual de uma época perdida em entorpecimento e comerciais de televisão, eles sentem isso, mas não conseguem se libertar. Viramos escravos das revistas de beleza, carros, móveis. O filme inteiro é um grito de protesto, não queremos mais a sua arte, as suas ideias, o seu ideal de perfeição! Um grande Sim! está por trás de cada soco que quebra um dente ou põe um homem inconsciente. O grito é em nome da algo maior, mas para criar algo no lugar, é preciso destruir antes.

Tyler Durden:Você não é seu trabalho. Você não é o quanto de dinheiro tem no banco. Você não é o carro que dirige. Você não é o conteúdo da sua carteira. Você não é a porra da sua (calça) caqui”

Como chegar ao fundo? Esta é a pergunta, para ser livre é preciso antes chegar ao fundo, livrar-se de tudo que impeça o movimento, liberdade, deixar as coisas que não importam realmente fluírem. “as coisas que você possui, acabam possuindo você“. Estamos presos a emprego, família, amigos, posição social, contas…

O filme tem um sentido muito afirmativo, basta ter coragem para perceber. “Sem dor, sem sacrifício, não teríamos nada“, tudo que Tyler quer é criar algo novo, dar um novo sentido, ter a capacidade de sentir o mundo novamente, experienciá-lo como nunca antes, “este é o melhor momento de sua vida, e você o está perdendo em outro lugar“. Ele busca a liberdade, não a que nos vendem, mas a uma liberdades que podemos sentir como tal. Estamos entorpecidos, este é o diagnóstico, como superaremos a nós mesmos? Convenhamos, não temos tempo a perder, “em uma linha de tempo longa o bastante, a taxa de sobrevivência de todos cai pra zero“, e as saídas de emergência nunca são confortáveis.

Tudo que nos venderam se deteriorou e agora não temos nada, eram sonhos falsos e não temos como voltar para o útero de nossa mãe pedindo segurança e conforto, também não há mais Deus para o qual rezar. “Você precisa considerar a possibilidade de Deus não gostar de você, nunca o quis, e muito provavelmente ele te odeia. Não é a pior coisa que poderia acontecer“, não há nada de errado, estamos cansados de sua teologia e seus ideais. O prazer se encontra na luta, e é impossível isso não ficar mais óbvio que em Clube da Luta. Nos alimentamos de nossos medos, nos alimentamos do desconforto, crescemos e nos tornamos melhores: “Antes você precisa saber, não temer, que um dia você vai morrer“. A possibilidade da morte como combustível para a vida. Só assim, usando o medo e a dor como combustível, a possibilidade de mudança se torna real.

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Tyler: “Amanhã será o dia mais bonito da vida de Raymond K. Hessel. Seu café da manhã será melhor que qualquer refeição que você e eu jamais provamos”

A possibilidade de morte, por exemplo, é o que dá vida para Raymond K. Hessel: tenho certeza, nunca provaremos um café da manhã tão bom quanto o dele. Esta é a intenção de Tyler, “Sem medo. Sem distrações. A habilidade de deixar aquilo que não interessa verdadeiramente passar“. Deixar para trás tudo que atrapalha, deixar para trás a falsa liberdade que te venderam na TV, e procurar sua legítima forma de ser livre. “Quanto mais você descer, mais alto vai voar“.

Sejamos um pouco como Tyler, aliás, façamos como o Narrador e deixemos o que há de Tyler em nós mostrar um pouco o caminho. “Eu não quero morrer sem cicatrizes”; ainda não sabemos do que somos capazes, e muitos morrem sem nunca saberem! Ainda não chegamos ao fundo do poço e só assim seremos verdadeiramente livres, só assim encontraremos nosso verdadeiro caminho. Mas sabemos de uma coisa, derrubamos Ídolos, deixamos de lado a perfeição (“um momento é o máximo que você pode esperar da perfeição“). Queremos a vida intensa, não a promessa da vida intensa (veja: a mediocridade do caminho do meio), Tyler nos deixou algumas diretrizes importantes, mas antes, temos que chegar ao fundo:

Projeto Caos:

  1. Você não faz perguntas;
  2. Você NÃO faz perguntas;
  3. Sem desculpas;
  4. Sem mentiras;
  5. Você precisa confiar no Tyler.

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Escrito por Rafael Trindade

"Artesão de mim, habito a superfície da pele" Atendimento Psicológico São Paulo - SP Contato: (11) 99113-3664

um comentário

  1. Não vejo bem assim. Acho que é na verdade uma revolta por parte de uma classe média e baixa, pois no filme temos empresários e até mafiosos que são alheios ao clube. Os mafiosos até chegam a chamá-los de loucos, já pensou nisso? Mafiosos considerá-los loucos? Vejo como uma parte da sociedade consumista que revoltada por não conseguir riqueza, fama, poder, essa coisas, não se deram bem no sistema atual. Então eles veem em Ed.Norton, quando Tyler, aquilo que queriam mas não tem a coragem de ser. Assim, todos estão meio que reprimindo sua revolta de “perdedores no sistema” e o protagonista acaba não suportando a pressão, sem querer libera sua outra personalidade, mas de forma a não se comprometer com as consequências ele a trata como um “amigo”. Aos poucos, no entanto, a nova persona vai dominando a cena e tomando conta dele e dos seus atos. O Tyler é a forma dele se revoltar e ir contra o sistema, não por seu querer, claro, mas pela força do seu inconsciente doente. Ele nem imaginava que tantos estavam na mesma situação que ele, só depois de “acordar” com o toque da namorada Marla que ele consegue discernir o que acontecera. Nesse momento da descoberta ele então “acordado”, desiste da sua personalidade revolucionária, tanto é que a “assassina” com um quase suicídio. Ali, eu interpreto diferente, ele não mais queria participar do Clube, ele desistiu e ficou com a Marla, mas as consequências da sua personalidade “Tyler” continuou independentemente dele, isso é mostrado na forma dos prédios se implodindo um após o outro, indicando que não podia mais parar o que ele próprio, sem querer, havia começado. Mostrando o perigo de uma sociedade reprimida e ao mesmo tempo consumista e materialista, fatalmente em algum momento uma revolução sempre está prestes a acontecer em cada excluído do sistema.

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