Estive pensando:
Haverá um dia, num futuro não muito distante,
Onde a expectativa de vida será tão grande
Que as pessoas terão a chance
De mudarem completamente.

Será isso impossível?
A medicina é tão incrível,
E tão rápida no gatilho.
Tem disso, e além do mais,
Os indianos nos falam,
Que descobertas alienígenas
– ou seriam indígenas? –
Nos aguardam.

Se vivêssemos dois mil anos,
Quem seríamos depois disso?
Nasço, cresço, registro.
Sou a soma de meus defeitos
Dividida por meus trejeitos.
Mas o que acontece com as sobras?
As lembranças que perco, morrem?
O que esqueço, escorre?

Depois de mil anos, e dez mil andanças,
Depois de vinte mil léguas e cem mil lembranças,
Pode ser que me torne outro, e lembre de mim
Como a um antepassado longínquo.

Falarei uma língua completamente nova:
Pali, asteca, norueguês, ou mandarim,
Ainda não decidi.
Terei tanta bagagem na cachola que ousarei
Me despir, me desfazer do passado:
Começarei a tornar-me cada vez mais outro,
Proscrito de minha identidade.

Depois de dois mil anos, meu cérebro mudará,
Como um labirinto mágico cujas paredes
Trocam de lugar.
Não sobrará nada do meu eu original,
Nem mesmo o nome, talvez me chame Yin
Ou quem sabe Yang.

É possível imaginar qualquer coisa:
Serei caixeiro viajante de galáxias distantes,
Quem sabe violonista espanhol tocando tangos,
Ou dono de uma fazenda de elefantes brancos,
Um filósofo cuja própria obra redescobre
Quando ele era outro, em tempos idos,
Cinzentos, vividos com outras ideias.

Será assim,
Dois mil anos, doze mil séculos,
Milhões de milênios, rápidos como um assobio.
Mas não precisa ser louco pra entender,
Que provavelmente já seremos outro
No fim deste desvario.

Prazer, qual o seu nome?

Escrito por Rafael Trindade

Artesão de mim, habito a superfície da pele.

4 comentários

  1. Rafael, vc tem mais que isso.. a matéria é o de menos, é assim mesmo, tem um ciclo certo. A verdadeira vida é a do espírito, que é imortal, indestrutível e continua.
    Em matéria de espiritualidade, alguns estão na universidade e outros na pré-escola. Tenhamos tolerância com as “crianças” que se encontram o jardim de infância da espiritualização. Um dia aprendem, dure quantas reencarnações durar..

    Curtir

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