somostodosmacacos

A grande agitação em torno do lançamento da banana durante o jogo do Barcelona está dando o que falar. “Somos todos macacos” parece o jeito mais fácil de lidar com a situação. Mas não acredito que seja bem assim…

Antes de mais nada é de se admirar pela saída criativa de Daniel Alves. Não se ofender com a banana jogada, mas comê-la parece uma saída inteligente para o preconceito! “Olha, obrigado pela banana, é bom para não dar caibras e eu estou aqui jogando futebol, então, valeu!”.

Mas isso não é tudo, novamente caímos na velha Ditadura da Identidade. Somos aqueles que dizem “somos isso” ou “somos aquilo”. Ainda nos pautamos por identidades fechadas, como aqueles que querem nos ofender. Não há apenas brancos e negros, não há apenas heterossexuais e gays, não há apenas homens e mulheres.

Enquanto nos pautarmos pela identidade, pela binarização ainda estaremos dentro do conjunto de valores que mantêm o preconceito e a discriminação. Precisamos pular fora deste barco, não ser macacos, não ser homem branco. Sair da verticalidade das identidades e cair na horizontalidade das relações. Aliás, a maior chatisse do mundo é ser o homem branco, que coisa mais sem graça, não quero ser macaco nem homem branco, quero ser nômade. Espero que cada vez mais não saibam dizer o que sou!

Transitar, experimentar, inventar, ser inominável… não sou macaco, e não vou enaltecer a identidade negra em nome do preconceito, isso seria ainda estar preso à identidade branca. Sejam macacos, mas não por causa do preconceito! Sejam negros, mas não por causa da opressão (lutem capoeira!). Ser algo por alguns instantes, apenas para voltar a se transformar e ser eternamente outro. Isso me parece muito mais efetivo para lutar contra o preconceito. Mas aí complica, quero ver criarem uma hashtag pra isso! #alteridade

conceito-antropologia-5

Escrito por Rafael Trindade

Artesão de mim, habito a superfície da pele, atento para o que entra e sai.

13 comentários

  1. Engraçado… Você dividiu a foto do Daniel Alves em três. Três atos de uma peça teatral neoclássica: início, meio e fim. Mas eu vi cada foto com uma palavra “Somos // Todos // Macacos”. Então li o texto, excelente como sempre. E revi algumas postagens no facebook sobre o assunto. Voltei à foto. Daniel Alves aceita ser o macaco: “Precisamos pular fora deste barco, não ser macacos, não ser homem branco. Sair da verticalidade das identidades e cair na horizontalidade das relações.” Ele simplesmente salta: jogador de futebol, macaco, jogador de futebol. Não assume nenhuma identidade, assumindo todas. E fim. Mas a repercussão disso são os outros “apoiarem” ele, “assumindo-se” macacos. Essa repetição imediata em forma de protesto, impede que haja um tempo de desconforto nas pessoas que viram aquilo. Quem viu a cena, simplesmente reagiu, não podendo ficar com o incômodo e ver o que este pode lhe surgir (diferentemente de você, que usou do conforto da cena e do conforto da hashtag para produzir algo).
    Meu comentário não tem uma finalização, apenas comecei a pensar isso.
    Agora tem.
    Bj

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    1. Vinni…… você me faz rir com seu comentário! e isso é bom!

      EAUEHEUHEuehUEHUHAE!!!

      Obrigado pela ótima reflexão e pelo ótimo final!

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  2. “somos todos macacos”não acho legal, concordo com o comentario de lazáro ramos sobre esta campanha “somos todos humanos”. pra mim todos nós somos criaçao de deus brancos , partos , negros , mulatos e indios somos criaturas de deus.

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