Quando uma música é boa, é quase como se você não precisasse escrever sobre ela; mas devido ao prazer, é quase impossível não fazê-lo.

Dentro do meu peito eu trago um sim“. Tudo de desenrola a partir desta frase, sabemos que algo bom virá! Amor-fati é um bom jeito de começar uma canção. Um sim “que ferve, queima, arde“; sabemos bem o nome disso: Vida. Quatro letras que não conseguem expressar a importância desta palavra. Respeitamos a vida e a ela nos entregamos sozinhos, como deve ser, sempre com prudência. Ao se misturar “Vida” e “Sim” temos uma grande responsabilidade nas mãos, mas as grandes responsabilidades se tornam incrivelmente leves com uma canção. Os Caramujos fazem isso como ninguém. E ainda estamos apenas na primeira estrofe!

Eu vou pra ver o que há depois eu vou fazer“. Nada me prende: deslizo, sou rápido, veloz, escorregadio. O atrito não me pega, meu peso evapora quando me desloco. Não carrego a mim mesmo no percurso. Não levo comigo quem sou, nem espero encontrá-lo no fim do percurso. Simplesmente vou fazer, me lanço como um projétil para cada vez mais longe. Poucos verão se minha flecha acertará o alvo. Na verdade, o alvo se faz depois da flecha cair.

Brincar com o devir, lançar dados como o deus de Heráclito, é brincadeira séria! Mas a beleza maior de todo processo: “eu vou sem medo“, sim, eu dou risada, gargalhadas, me divirto, você sempre verá um sorriso em meus lábios, mesmo nos momentos de dor. Para dor eu digo sim, ela é o tempero da vida; para o medo nem mesmo digo não, eu apenas viro o rosto, acho até que já esqueci o que era isso.

Ponho o pé na rua, sigo e não quero voltar, se a chuva aperta eu to aqui pra me molhar“. Já estamos chegando no fim da música? Não estamos nem perto! Ela segue, continua como a vida que também não pára, mesmo que às vezes sem ser ouvida. Ela segue embaixo das preocupações, das dúvidas, das incertezas. Queremos voltar? Queremos parar? Queremos desistir? Qual o quê! Claro que não! Minha vida se faz dos instantes bons que levo comigo, e dos momentos que divido com meus amigos. Todo o resto voltou ao pó. Só levo comigo aquilo que posso afirmar! E assim eu vou, sem medo…

MMemoriasCaramujo

http://www.memoriasdeumcaramujo.com.br

Escrito por Rafael Trindade

Artesão de mim, habito a superfície da pele, atento para o que entra e sai.

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