may-68-6th-arrond-boulevard-saint-germain-students-hurl-projectiles-against-the-police-bruno-barbeyA pluralidade de interpretações do Maio de 68 foi, inicialmente, agrupada por Bénéton e Touchard, que colocaram oito formas de se interpretar o acontecimento. O filósofo Ferry, por sua vez, procura a lógica dessas interpretações que é possível nomear de sujeitos-atores (que participam do Maio de 68), sujeitos-traídos (que estão como atores no momento histórico, e tentam fazer surgir algo desde movimento, contudo no decorrer da história não se vê concretizado os intuitos destes participantes) e o sujeito-acontecimento (do qual, não é possível captar todos os elementos do Maio de 68 para além daquele momento determinado, onde passa a existir uma novidade). Desta forma, podemos obter um leque maior de descrições do que foi o Maio de 68 e de suas possibilidades interpretativas.

  1. A primeira interpretação colocaria o Maio de 68 como um complô por parte de grupos esquerdistas e do Partido Comunista. Essa tese foi apresentada por De Gaulle e por G. Pompidou e refinada por outros intérpretes.
  1. Uma segunda interpretação é ver o Maio como crise da universidade, porque os estudantes estavam diante de uma forte rigidez universitária e de uma cegueira da mesma diante do social.
  1. A terceira interpretação entende o Maio como uma revolta de juventude, mas revolta, por sua vez, seria entendida aqui como jogo, festa no cotidiano ou como um divertido “assassinato do pai”, no qual se comemora com os irmãos da velha horda. A revolta se tornaria psicodrama, mímica, paródia de uma revolução.
  1. A quarta interpretação vê o Maio como crise da civilização, na qual há a decomposição dos valores das Luzes, do progresso.
  1. Uma quinta interpretação faz referência a um Novo tipo de conflito de classes, pois a luta não seria mais estritamente econômica, mas também uma luta social, cultural e política. A crítica agora é endereçada mais fortemente a uma dominação tecnocrata, que controlaria os grandes setores da atividade social.
  2. O sexto ponto interpretativo é o conflito social do tipo tradicional. Essa seria a leitura comunista ortodoxa, onde a crise se dá via greves operárias, por reinvindicações materiais legítimas, onde o movimento estudantil teria o papel de um detonador ocasional.
  1. A sétima interpretação é ver o Maio como uma crise política devida à impopularidade de De Gaulle e de seu primeiro-ministro.
  1. A última interpretação é entender a crise como um encadeamento de circunstâncias, que o Filósofo Ferry entende como “uma multiplicidade de causas ocasionais, onde todas desempenharam um papel, sem as quais nada, sem dúvida, ter-se-ia processado da mesma maneira”.

Existe de fato uma pluralidade de interpretações do Maio de 68, e aqui foram salientados somente oito pequenos motes interpretativos, pois há uma variedade ainda maior de leituras.

Escrito por Rafael Leopoldo

"A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.” Manuel Bandeira