Moro numa cidade com parques onde não se pode deitar.
Moro numa cidade com praças onde não se pode sentar.
Moro numa cidade com gramados onde não se pode pisar.
Moro numa cidade com rios onde não se consegue nadar.

Moro numa cidade cujo ar não se pode respirar.
Moro numa cidade cujo espaço não parece sobrar.
Moro numa cidade cujo solo não consegue absorver.
Moro numa cidade cujo verde não se dá ao olhar.

Moro numa cidade com o horizonte a encurtar.
Moro numa cidade com os fluxos a restringir.
Moro numa cidade com as cores a apagar.
Moro numa cidade com a água a faltar.

Moro numa cidade cuja lida há de se resistir.
Moro numa cidade cujo medo há de se espantar.
Moro numa cidade cuja vida há de se levar.
Moro numa cidade cujo amor há de se preservar.

Não moro no interior.
Moro numa cidade:
São paulo – cidade-exterior.

Escrito por Rafael Lauro

Sou formado pelos livros que li, pelas músicas que toquei, pelos filmes que vi, pelas obras que observei, pelos acontecimentos que presenciei e pelos relacionamentos que tive. Sou uma obra aberta.

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