– Para José Celso Martinez Corrêa

Do pó, fez-se o glitter
Da poeira, purpurina.
A pólvora dos canhões encarniçados devém lantejoula.
Das cinzas dos nossos antepassados
Cremados no etherno fogo da História
Fez-se o confete
Alimento do nosso ser
Sedento de beleza e de ardência.

O Sol se rebelou contra a
Mesquinha ordem planetária dos
Frios corpos celestes que
Perfazem o Universo
E se recusou a deitar-se no horizonte distante.

Gretas esparramam-se pelo chão.
O calor fervente e estonteante
Abre fendas nas ruas e nos corpos.

O Tempo
– Inveterado fumante de partículas –
Foi abolido.
Estancado à base de cuspe de anjos
Deixou de sangrar.
Nem mais tique
nem taque.

Dionísio, mestre-sala e porta-bandeira,
Desfila em plena avenida
Magnetizando os genitais das gentes.
Encantando e seduzindo os bichos-humanos.

O ócio macunaímico foi declarado
Dever cívico irrevogável e pluriversal.
Foi inserido na recém-modelada
Constituição de Todos os Povos, Povoados e Populações
– em seu primeiro e único artigo, aliás –
(Mas, felizmente, ninguém mais liga para
essas coisas de letras e leis.)

As duras ruas da
Duracidade
Desmancham-se em um lamaçal etílico.
Novo firmamento a sustentar a Humanidade.

Em nome da carne,
O bloco da policialegria dispara
Bombas de efeito orgasmogêneo
Contra desavisados e desarmados transeuntes
Ignorantes do estado de graça e gozo
Que tomou conta de Tudo-e-Todos.

E

Embasbacado diante da confluência multirrítmica de
Barro, volúpia e mel
Deus
– artista incompreendido e atormentado ,
figura escabrosa e graciosamente só –
Enfastiado de tanto brincar nos abismos
Do seu ateliê celeste
Ao mesmo tempo em que jubiloso pela
Beatitude carnal daquilo que se conhecia como Humanidade
Resolve convidar o Diabo,
Seu companheiro de longa data,
Irmão de desaforos, desavenças e discórdias,
Cúmplice nas intrigas agrestes que entrançam
A desventurosa trama humana
Para uma amistosa partida de cartas.

Eles, que desde tempos imemoriais
Haviam se desquitado por algum fútil motivo,
Razão pequena e indigente que neste momento
Já nem se recordam
( nem vale a pena se recordar…)
Entregues que estão
Ambos
Em meio a risos, provocações e recordações
Tal como fazem velhos amigos depois de
Longos séculos apartados.

– Pedro Dotto (pmgdotto@gmail.com)

Comente aqui!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s