Depois de seis dias severos
Labuta infatigável manufatura minuciosa
Exausto, abatido tal como o peão de obra que
Após o serviço sevícias martírio diário
Enfrenta o Terminal Guarapiranga apinhado
Deus decide descansar.
Precisa do justo sacrossanto
descanso.

Horas horas horas e horas
– 144, ao todo –
de trabalho de fábrica
trabalho proletário
Deus-proletário
vai ao boteco
no 7o
Dia.

Purificar-seom cachaça de alambique firmamento celeste.
Desestressar-se
numa mesa de sinuca carcomida.
Jogar uma partida de bilhar
consigo
mesmo.

(Naquele momento ELE
ainda não havia inventado o Diabo
– dizem que havia se esquecido –
seu futuro camarada de tragos
pileques homéricos, travessuras e
contação de histórias…)

Deus joga paciência
com um baralho de estrelas.
Deus dança
samba
– assim imagino…

(as pesquisas científicas mais recentes já
comprovaram o Ó
bvio: Deus detesta a
modorra tanatoproclamatória
de um Réquiem.)

Deus,
de folga,
fica de fogo
no 7o dia.

Tropeça chuta canta xinga.
Grita.
Vomita.
Entristece-se.
Murcha.
Amuado.
Gruta.

Chora um pranto catatônico:
lagrimas etílicas
exalam aguardente ácido sulfúrico.
Deus adormece embriagado
e o Universo desperta
de ressaca.

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