por Shin KwangHo
– por Shin KwangHo

Este blog nasceu com, no mínimo, um ano de atraso. Sendo que estas ideias estão em trabalho de parto há pelo menos 2 anos. De certa forma, este espaço é consequência do conflito entre nossas ideias e o real, é um primeiro passo na busca de alternativas éticas que escalem as paredes do fundo de poço niilista no qual nos encontramos. Através de leituras, reflexões e (muitas) discussões, entendemos que deveríamos propor novos valores que escapassem à metafísica moderna: deus,  Humanidade, Verdade, Estado, Trabalho. Sendo assim, este espaço reflete uma busca por caminhos estéticos para a eleição de uma ética da qual possamos nos apropriar.

Somos loucos, com pensamentos perturbados, andando à margem da razão convencional? Talvez este sentimento tenha origem no choque entre ideias estabelecidas, que nos são impostas, e ideias elegidas, que nos apropriamos no curso de nossa existência.  A Razão Inadequada é a via alternativa, uma micro-revolução, uma força que não se submete a um conjunto maior de estratégias de adestramento do indivíduo. A contradição é clara, pegamos metrô e fazemos as compras do mês como todas as outras pessoas, mas neste espaço faremos questão de ser loucos, como aqueles encarcerados por não se adequarem, destituídos de sua liberdade por não aceitarem, reprimidos por sempre lembrar que o rei está nu. Será que podemos sugerir outra razão? Possibilitar novas formas de vivência? Ir além da teoria?

- por Shin KwangHo
– por Shin KwangHo

Diógenes, o louco fundamental, com sua lanterna à procura de um “homem verdadeiramente justo”. Epicuro, filósofo do jardim, apreciador dos prazeres simples. Nietzsche, destruidor de ídolos com pés de barro, grande anunciador da filosofia do meio-dia. Marcuse, crítico do homem unidimensional, à procura do prazer para além da repressão. Espinosa, com sua ética baseada na potência e sua alegria nascendo dos bons encontros. Foucault, determinando a morte do homem, redimindo loucos e presos. Deleuze, filósofo nômade, apologista da alteridade. Onfray, filósofo hedonista, insubmisso e rebelde por definição. Eis alguns dos pensadores que nos influenciam.

Nada mais natural que, para inaugurar este espaço, escrever o texto à quarto mãos, já que este blog é a consequência de muitas conversas, discussões, sugestões de leitura e reflexões de longa data. E por que não uma escrita a várias mãos? Partindo do princípio de que aliar ideias é aliar forças. Sob o signo da amizade nasce o conhecer e o reconhecer e, mais do que isso, a relação intersubjetiva é o carimbo que permite ao indivíduo a sua afirmação. Se a escola, o trabalho, a televisão e a religião não nos deram a possibilidade deste exercício crítico, que pelo menos boas companhias o façam.

Para tanto, seremos tendenciosos, pois toda proposta expressa uma vontade. Na elaboração destes pensamentos, utilizaremos ideias libertárias, hedonistas, materialistas e ateístas; mas sem tomá-los como crenças. Para nós, é importante dizer, não há destruição sem perspectiva de criação. Criticas serão sempre bem-vindas, mas sempre com o objetivo de construir algo no lugar. Como Nietzsche, não sejamos outra coisa senão pura afirmação. Não sejamos outra coisa senão aquele que aprendeu a dizer Sim!

Boa leitura!

27 comentários

  1. Otimo blog! Sou formado em Direito, estudei filosofia e hj faço Historia. Entrei por acaso, buscando complemento ao meu estudo no google. Tenho a mesma perspectiva sobre a vida. Concordo com o conceito de “micro revoluçao”, uma forma alternativa ao individualismo vigente. Um abraco do xara! Rafael

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  2. Rafael,
    Descobri agora o teu blogue, queria só aqui deixar uma palavra de apreço e gratidão. Tudo o que tenho lido até agora é simplesmente incrível, que brilhante trabalho aqui fazes!

    Um abraço, obrigado mesmo,
    miguel

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  3. Sou um buscador leigo por evolução e liberdade de pensamento. Um blog onde reúne os pensadores/filósofos que mais me inspiram, é fantástico. Parabéns!
    A humanidade precisa dessa libertação intelectual. Com diria Nietzsche em alemão: ES DENKT IN MIR (Algo pensa em mim)

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  4. Encontrei no blog de vocês uma leitura agradabilíssima e extremamente didática.
    Meu contato com a filosofia sempre foi superficial, mas estou assistindo a um ciclo de palestras intitulado Mutações – entre dois mundos e me apaixonei por Espinosa. Então obrigado por terem criado o blog que está me guiando neste caminho.

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