Espinosa e a condição social das mulheres

R$150,00

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  • Aula 1 – A democracia moderna liberal e a condição social das mulheres: uma democracia restrita e excludente;
  • Aula 2 – Uma democracia radical e a condição social das mulheres: um projeto vencido. O círculo Iluminista Radical
  • Aula 3 – A obra inacabada dentro da obra: uma leitura contextualizada do Tratado Político e na obra de Espinosa, conforme Marilena Chaui
  • Aula 4 – Leituras possíveis do Tratado Político sobre uma democracia radical e a condição social das mulheres

Segundas feiras, a partir das 19h pelo Zoom
07, 14, 21 e 28 de Junho
Aulas gravadas para ver depois

Carga horária: 8 horas
Emitimos certificado simples

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Em 21 de fevereiro de 1677, com a morte de Espinosa, resta inacabado o seu Tratado Político, obra na qual o filósofo holandês realizava a análise das formas dos regimes políticos e suas respectivas relações sociais constitutivas.

Espinosa não concluiu suas ideias e conceitos acerca do regime democrático e seu Tratado Político inacabado se encerra com o enunciado, igualmente, inacabado sobre a condição social das mulheres:

Talvez haja quem pergunte se é por natureza ou por instituição que as mulheres devem estar sob o poder dos homens. Porém, se consultarmos a própria experiência, veremos que isto deriva da sua fraqueza. Em parte nenhuma aconteceu, com efeito, os homens e as mulheres governarem juntos, mas em qualquer parte da terra onde se encontrem homens e mulheres vemos os homens reinarem e as mulheres serem governadas, vivendo assim ambos os sexos em concórdia. […] Se as mulheres fossem por natureza iguais aos homens e sobressaíssem igualmente pela fortaleza de ânimo e pelo engenho, que são aquilo em que acima de tudo consiste a potência humana, e, por conseguinte, o direito, sem dúvida que, entre tantas e tão diversas nações, se encontrariam algumas onde os dois sexos governassem em paridade e outras onde os homens fossem governados pelas mulheres e educados de modo a terem, pelo engenho, menos poder. Como isso não aconteceu em parte nenhuma, é totalmente lícito afirmar que as mulheres, por natureza, não têm o mesmo direito que os homens e estão-lhes necessariamente submetidas, de tal modo que não é possível acontecer que ambos os sexos governem de igual modo e, muito menos, que os homens sejam governados por mulheres […]” – Espinosa, Tratado Político

Com o ingresso dos grupos historicamente interditados no campo da educação e da produção de pensamento – mulheres e população negra – tem-se constituído tanto críticas que colocam em xeque o pensamento filosófico estabelecido como dominante quanto tem-se criado novos conceitos e lógicas que ampliam e conferem maior completude às análises filosóficas anteriores. No que diz respeito ao pensamento filosófico político de Espinosa, as perplexidades e complexidades se adensam quando nos deparamos com seu Tratado Político inacabado.

Neste curso, estudaremos o discurso e o desenho institucional vencedor, nascido na Modernidade europeia e o contradiscurso no qual Espinosa e seu círculo, os iluministas radicais, estavam inseridos, bem como, discutiremos a análise filosófica política contemporânea acerca da questão.

Professora

Viviana Ribeiro é professora e cofundadora do IPIA – Comunidade de Pensamento. Doutoranda pelo Programa de Pós Graduação em Direito da PUC-RIO. Mestra em Filosofia pelo Programa de Pós Graduação em Filosofia da Universidade Federal Fluminense (PFI/UFF). Possui graduação em Direito pelo IBMEC. Pesquisadora egressa do Grupo de Estudos Comparados de Literatura e Cultura (GECOMLIC/UFRJ), coordenado pelos prof Dr. Eduardo Coutinho e prof.ª Dra. Monica Amim. Integrante do Grupo de Trabalho Deleuze da Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (GT- Deleuze/Anpof). Integrante do Círculo de Leitura Espinosa, Puc-Rio.

Bibliografia

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______. Desejo, Paixão e Ação na Ética de Espinosa. São Paulo: Companhia das Letras, 2011
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______. Tratado da Emenda do Intelecto. Tradução: Cristiano Novaes de Rezende. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2015
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GUIMARAES, Francisco e ROCHA, Mauricio. Cooperação e igualdade social e política em Spinoza e Van den Enden. In: Baptiste Noel Auguste Grasset; Emanuel Angelo da Rocha Fragoso; Ericka Marie Itokazu; Franscisco de Guimaraens; Mauricio Rocha (ORG). Spinoza e as Américas: X Colóquio Internacional Spinoza, Volume 2. Rio de Janeiro/Fortaleza: EdUECE (Editora da Universidade Estadual do Ceará), 2014, v. 2, p. 35-48
______. Direitos sociais, a guarda da constituição e da liberdade e as raízes do republicanismo democrático. XXIII Congresso Nacional CONPEDI/UFPB: Teoria do Estado e da Constituição. João Pessoa: CONPEDI, 2014, v. 1, p. 41-68
ISRAEL, Jonathan I. Iluminismo radical: a filosofia e a construção da modernidade, 1650-1750. Tradução: Claudio Blanc. São Paulo: Madras, 2009
VAN DEN ENDEN, Franciscus. Liberdad política y estado o proposiciones políticas libres y consideraciones de estado. Buenos Aires: El Coenco de Plata, 2010

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