Toda psicologia, até o momento, tem estado presa a preconceitos e temores morais: não ousou descer às profundezas” – Nietzsche, Além do bem e do mal, §23

A história sempre tem sempre seus vencedores e perdedores. No nosso caso, a ideia de escrever um esboço para uma contra-história da psicologia é prestar homenagem àqueles que contribuíram para este campo do conhecimento mas não têm seus nomes publicados nos livros de psicologia. Não é por acaso, afinal, o campo é conhecimento é parecido com um campo de batalha. Será que as ideias destes filósofos eram muito subversivas para sua época? Será que estes pensadores não aceitavam abaixar a cabeça para as ideias dominantes?

Como a tarefa é muito abrangente, nos propomos aqui a fazer um esboço, apenas alguns questionamentos. Por que Darwin e não Espinosa como influência para Skinner? Por que Kant e não Schopenhauer como precursor de Freud? Hegel e Lacan? Não, estamos longe deles… preferimos Nietzsche que em “Além do Bem e do Mal” já propôs que a rainha de todas as ciências seria a psicologia. O que estes filósofos podem nos trazer de novo? Achamos que a historiografia oficial não escolhe bem seus representantes. Queremos fazer nossa parte, dar a nossa versão, abrir algumas possibilidades.

As bases filosóficas da psicologia são os alicerces que a sustenta. Se ao invés de Platão, Aristóteles, Descartes, Kant, Hegel e etc., propusermos Diógenes, Foucault, Antífon, Epicuro, Espinosa, Hume, Stirner, Nietzsche, Deleuze e outros tantos, acabaremos com uma psicologia completamente nova. Que bom, esta é nossa intenção.

Através destes textos quebraremos com alguns preconceitos da psicologia. Sairemos do lugar comum. A ideia é propor caminhos pouco trilhados e conhecidos para ela. Freud propôs o complexo de Édipo, Deleuze escreveu “O Anti-Édipo“; Freud chamou o sadismo de perversão mas Foucault o chamou de “ética da doçura”, para todo grande e entediante pensador mainstream, podemos colocar um filósofo/psicólogo para se contrapor e propor uma outra perspectiva. Enfim, temos muito trabalho pela frente….

O que é psicologia?

Textos publicados:

- Marco Melgrati
– Marco Melgrati

Espinosa e Skinner:
Quando Peter Pal Pelbart diz: “Poderíamos começar por Espinosa…“, nós completamos a frase com, “…e chegar em Skinner?“:

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6 comentários

  1. Que ideia genial!!!!!! sempre pensei nessas questões mas nunca encontrei textos que falassem sobre isso. Irei ler todos!!
    Parabéns pelo trabalho!!!!

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  2. uau, que bom encontrar isso aqui, os quatro essenciais são meus prediletos, acrescentaria um quinto, Sartre, foram por eles que aprendi a trilhar na psicologia e, de repente, tb pensei que a mesma precisava de uma contra-história – há mto o que fazer, realmente; lembro da minha época de estudante qdo vi na encrenca que me meti ao não seguir mais a religião-psicanálise… e não faz mto tempo

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  3. A Psicologia está imposta na Filosofia desde que surge a metafísica através da linguagem…. Lá na mitologia grega. É como se a Psicologia estivesse mesmo imposta a todas as ciências. Isso porque em tudo na realidade demanda “percepção psíquica”. Nietzsche abre as “portas da percepção” quando descobre que existe uma “caverna social” onde as pessoas se percebem socialmente através de “significante” completamente invertidos em relação ao “bem” e o “mal”. É “bom” aquele que possui maior influência social e “mau” aquele que não tem influencia social alguma. Sua análise o leva a Igreja como representação do “bem” pela sua relação metafísica com Deus e todos que não a seguem são do “mal”, percebendo que a religião cristã se fundava no “mito da caverna” de Platão. Começa então a escrever “Crepúsculo dos Ídolos” onde detona Sócrates e Platão com o intuito de destruir a “metafísica” e liberta a mente das garras do cristianismo e sua “moral” influente – estava descoberto o inconsciente…… Mas Freud logo coloca o “inconsciente” no seu devido lugar “metafísico” e cria uma “metapsicologia” onde funda a Psicanálise baseada na “culpa incestuosa” do mito Édipo. Freud cala Nietzsche ao estabelecer de volta o “inconsciente” numa perspectiva agora religiosa e científica, misticismo e ciência se unem para influenciar a sociedade crescente de massa – “Tempos Modernos” do Nazismo! Mas graças as potencialidades das forças do universo Deleuze & Guattari se unem e escrevem o livro mais extraordinário do século XX e destrói a “metapsicologia” freudiana que insiste em se propagar pelas antenas de TV num lacanismo zumbiloide…… É preciso “prudência” para se aventurar nas páginas de “capitalismo e esquizofrenia” e se libertar da Matrix.

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