Sabe o que eu não entendo? Por que as pessoas, todas as pessoas, são sempre tão más umas com as outras. Não faz sentido, julgamento, controle, toda essa coisa”
– Alex Supertramp
Alex Supertramp se separa da sociedade para encontrar-se. Ele nada contra a corrente para entender melhor o que é dele e o que não é. É preciso livrar-se das coisas que te separam da sua real existência. E por que entrar na natureza selvagem? Por que mergulhar tão fundo? É preciso um corte radical. A vida de Alex Supertramp é um sonho para Chris, e a vida de Chris é um pesadelo para Alex Supertramp.

Quando seu pai lhe propõe comprar um carro novo, Chris se irrita. “Eu não quero um carro novo, eu não preciso de um carro novo“. Para quê? Para mostrar para os outros? Para todos me admirarem? O carro que ele tem já está ótimo. Isso o tira do sério… estas “coisas, coisas coisas…“.
Quanto dinheiro ele tem no banco? Tanto faz, doará seus 24 mil dólares e queimará seu dinheiro mais de uma vez quando escapar desta sociedade. Ele não quer nada que ela possa oferecer, não quer nada que seus pais querem para ele. Resumindo: ele não quer e não precisa de um carro novo. Ele foge em busca de algo maior, ele deixa esta vida porque ela é muito pequena. Mas o que ele fará quando estiver lá? Nada demais, ele quer apenas estar lá, simplesmente viver o momento, sentir, ver, ouvir, experienciar a vida em seu modo mais puro.
As trilhas que eu fazia conduziam para fora, aos morros e pântanos, mas levavam para dentro de mim também. E do estudo das coisas no caminho, e de ler e pensar, veio uma espécie de exploração, eu e a terra. Com o tempo, ambos se tornaram um em minha mente”
– John Haines

A fuga é um encontro com si mesmo. Quando nadamos com a corrente e cantamos o coro dos contentes, fica difícil perceber o que é nosso e o que não é. Alex se propõe esta experiência como um modo de filtrar, como um ritual de purificação. Ele precisa disso para saber o que quer e o que não quer, o que pode e o que não pode.
Não era apenas uma fuga, era uma busca. Para além da raiva e da rebelião, havia algo de doce e puro, sua irmã entender isso, seus pais não. Fugir da sociedade talvez fosse a melhor maneira de, depois desta experiência, poder voltar e estar nela, sem confundir-se, sem se perder no meio desta “sociedade doente”.



