“Torna-te quem tu és”

Ou, como tornar-se um destino

“Torna-te quem tu és” é uma tarefa essencialmente prática, um longo caminho a ser trilhado lentamente.

A frase não é original de Nietzsche, o filósofo alemão a tomou de Píndaro para dar uma conotação muito mais afirmativa e experimental. Não temos um manual passo a passo para indicar o ponto de chegada, nem uma tábua de valores para impor.

Sendo assim, só podemos dizer que ‘Tornar-se aquilo que se é’ ocorre no percurso da vida, de uma vida, como diria Deleuze.

Escolhemos as obras da artista Alexandra Levasseur para ilustrar nossa série

Um Modo de Vida

O caráter eminentemente prático vem para tirar toda e qualquer mediação de teorias, morais, mandamentos religiosos. E também para dar provas de que a filosofia é uma maneira de viver, um modo de viver. Ou seja, não pode haver qualquer anteparo entre o homem que se torna o que é e a vida em si que ele manifesta. Por isso esta série só poderá falar de vivências e cultivos, não de regras e imposições!

O que queremos? Agregar à vida uma modalidade estética, variação ética que está para além do bem e do mal, uma imanência pura! Mas podemos apenas mostrar os primeiros passos, como por exemplo o desprender-se da tradição e de uma ordenação moral do mundo. Experimentar para realmente entender, para compreender com o corpo! V(iv)er pra cr(sc)er, vivenciar para dizer!

O que diz sua consciência? – ‘torne-se aquilo que você é’”

– Nietzsche – Gaia Ciência, §270

Sendo assim, eis os primeiros passos, tímidos, sabemos, para tornar-se quem se é: