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História da Loucura

O Navio, a Prisão e o Hospício

– Foucault, História da Loucura, com apresentação de Vladimir Safatle

História da Loucura é um livro estranho, porque o seu título já engana: não é exatamente um livro de história. O melhor seria dizer que se trata de um livro de história escrito por um filósofo, o que muda tudo. Este livro é sobre a historicidade de um conceito, e isso já torna, de antemão, tudo diferente do que estamos acostumados. 

A intenção do filósofo francês não é escrever uma história continuísta, progressista, como se nos primórdios tudo fosse pior e agora tudo fosse melhor. A História da Loucura se afasta da história linear cronológica. 

Ora, qual seria o objetivo então? Simples, fazer um diagnóstico dos acontecimentos do passado que fizeram o presente ser (ou não ser) o que ele é hoje. Sendo assim, podemos dizer: não é um livro de história da psiquiatria ou uma história psiquiátrica da doença mental, trata-se de um livro sobre os acontecimentos que envolvem o conceito de loucura. 

Deste modo, podemos dizer que Foucault realiza uma “Arqueologia da Percepção da Loucura”, ele procura pelos documentos que falam da loucura, e desta maneira acaba desnaturalizá-la, historicizá-la, mostrando que acontecimentos podem mudar radicalmente a maneira como olhamos e falamos sobre um determinado assunto.

Para isso, Foucault fará um percurso do Renascimento até a Modernidade, chegando até o momento em que o louco adquire a percepção de doente mental. 

Eu encarava este livro como uma espécie de vento verdadeiramente material, e continuo a sonhar com ele assim, uma espécie de vento que arrebata portas e janelas… Meu sonho é que ele fosse um explosivo eficaz como uma bomba, e belo como fogos de artifício” – Foucault, Entrevista a Roger Paul Droit

O Nascimento da Doença Mental

Compreendemos então a separação entre a loucura renascentista e desrazão da era clássica, o seu corte se dá com a Grande Internação acompanhada pelo pensamento de Descartes.

Se antes a loucura vagava solta, (não necessariamente aceita, mas ao menos estava livre), na era clássica ela adquire uma definição negativa: des-atino (não compreender), de-lírio (sair do caminho), desrazão, insano (desprovido de sanidade). Em suma: presença da ausência de razão.

Mas o segundo movimento se faz da desrazão para a doença mental. Ou seja, há uma nova mudança de percepção da era clássica, primeiro Loucura, pobreza, Criminalidade, Imoralidade, e agora, na Era Moderna: Asilo, Psiquiatria, Doença.