Espinosa - Conceitos Fundamentais

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rafael@razaoinadequada.com

Join the discussion 26 Comments

  • marcelo marcelo disse:

    show de aula, gostei demais.
    ele esta entre nós, nos fez sua imagem e semelhança.. Sempre tive dúvidas se esse nós/nos era só o nós.

  • genesgbs genesgbs disse:

    Espinosa e Nietzsche têm algumas concordância nos seus pensamentos. Espero descobrir e entender um pouco mais desse filósofo incrível chamado Baruch Espinosa.

    • Rafael Lauro Rafael Lauro disse:

      Tem sim, Genes!

      Tem um outro curso nosso que compara os fundamentos dos dois!
      Vale a pena!

      Abraços!

      • Foto de perfil chicoary disse:

        Eu sou leitor de Nietzsche há um bom tempo. A questão dos afetos e da vontade do Espinosa me parecem ter influenciado Nietzsche. A questãp do corpo também. Quando lia Nietzsche e ele falava de “espinosismo” eu não entendia se ele estava criticando ou elogiando. Hoje acho que elogiava, mas não sei. Outras influências pontuais que imagino em Nietzsche são Montaigne com sua crítica ao conceito de bem e mal nos Ensaios e Dostoievski nos “Os irmãos Karamazov” na passagem em que o Diabo fala algo parecido com o que há num aforismo sobre o Eterno Retorno do Nietzsche (Veja abaixo).

        “O maior dos pesos – E se um dia, ou uma noite, um demônio lhe aparecesse furtivamente em sua mais desolada solidão e dissesse: ‘Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada suspiro e pensamento, e tudo o que é inefavelmente grande e pequeno em sua vida, terão de lhe suceder novamente, tudo na mesma sequência e ordem – e assim também essa aranha e esse luar entre as árvores, e também esse instante e eu mesmo. A perene ampulheta do existir será sempre virada novamente – e você com ela, partícula de poeira!’. – Você não se prostraria e rangeria os dentes e amaldiçoaria o demônio que assim falou? Ou você já experimentou um instante imenso, no qual lhe responderia: “Você é um deus e jamais ouvi coisa tão divina!”. Se esse pensamento tomasse conta de você, tal como você é, ele o transformaria e o esmagaria talvez; a questão em tudo e em cada coisa, “Você quer isso mais uma vez e por incontáveis vezes?‟, pesaria sobre os seus atos como o maior dos pesos! Ou o quanto você teria de estar bem consigo mesmo e com a vida, para não desejar nada além dessa última, eterna confirmação e chancela” – Friedrich Nietzsche, Gaia Ciência, 341”

        “Ora, estás sempre pensando na nossa Terra de hoje! Só que a própria Terra de hoje talvez já se tenha repetido um bilhão de vezes; renasceu, congelou, rachou, fez-se em pedaços, desintegrou-se em seus componentes iniciais, voltou a água, que ficou sobre a terra, depois voltaram os cometas, voltou o sol, outra vez a Terra se formou do sol – ora, esse desenvolvimento possivelmente vem se repetindo infinitamente, e tudo sob o mesmo aspecto até os mínimos detalhes. O mais indecente dos tédios. (Dostoievski)”.

        E o “amor fati” parece estar em “Os irmão Karamazov” também:

        “Penso que se deve amar a vida acima de tudo.

        — Amar a vida, em vez do sentido da vida?
        — Decerto. Amá-la antes de raciocinar, sem lógica, como dizes; então somente compreender-se-á o sentido dela. Eis o que entrevejo desde muito tempo. A metade de tua tarefa está realizada e adquirida, Ivã: amas a vida.” (Fiódor Dostoiévski – Os Irmãos Karamazov).

        De forma mais resumida penso na “vontade” do Shopenhauer, em seu “O mundo como vontade e representação”, engendrando a “vontade de potência” do Nietzsche. No raciocínio de Montaigne sobre o bem e o mal como perspectivas pessoais e contigentes levando à transvaloração do Nietzsche do fato moral ou da “moralina” inscrita no “bem” e “mal” da moral. Em Espinosa há também isto a partir da paráfrase (de memória) “nem condenar e nem exaltar, mas compreender”.

        Acho que este post ficou bem longo e até merece ser convertido num post mais extenso ainda no meu blog desenvolevendo as outras “suspeitas”. Minha alegação de que Nietzsche se inspirou nas suas leituras dos autores que preferia não representa nenhum denôdo pois da leitura de NIetzsche, que não citava quase ninguém, se entende que há sempre uma apropriação da cultura pregressa e uma revaloração que não se configura em plágio porque já é outra coisa. A defesa de coisas a-históricas pelo Nietzsche ao valorar o que representa a História para a vida fala também do esquecimento, um esquecimento da história factual para que, em vez de memória somente, se configure numa coisa mais rica que permita não só repetir mas flexionar em novos futuros culturalmente mais profícuos.”

  • Foto de perfil Marcio Souza disse:

    Aula muito interessante e instigante. Seria legal a indicação de uma bibliografia complementar.

  • Foto de perfil Marcio Souza disse:

    Ops! Na verdade era um comentário sobre a aula 2. Para esta aula a leitura complementar está clara, Filosofia Prática..

  • Foto de perfil lucas menezes oliveira silva disse:

    Depois de, por meio do curso, tomar conhecimento da fundamentação geométrica presente à filosofia de Espinosa, dei-me conta de que o lugar-comum habitado pelos racionalistas do século XVII (Descartes, Leibniz, Espinosa) é justamente o lugar, em que se fixam as estruturas matemáticas a servirem de ponto de apoio para os postulados mais genéricos de tais sistemas conceituais. O que, de certo modo, confere-lhes a possibilidade do estabelecimento de uma verdade sem referência (Bedeutung), já que as aludidas filosofias prescindem de um domínio empírico de objetos, aos quais os conceitos devem se adequar. Destarte, pode Descartes separar a res cogitans da res extensas; Leibniz distinguir as verdade da razão das verdades de fato e Espinosa demonstrar a perfeição de Deus por meio de princípios teóricos fincados exclusivamente pela razão.

    Parabéns pelo trabalho. Ótima exposição e conteúdo.

  • Foto de perfil Natasha Pimentel disse:

    Em tempos de fanatismo e/ou fundamentalismos, Espinosa importa mais do que nunca. Magnífica aula! Obrigada!

  • Foto de perfil Claudia Lessa disse:

    Excelente a clareza com que vocês explicam conceitos que se mostram tão complexo e exigem muitas páginas de leitura.
    Claudia Lessa
    18/11/2020

  • Foto de perfil Manuel Guedes Martins disse:

    ” Basta não compreender para não moralizar”

    Muito interessante o V.. trabalho na promoção de melhor capacidade crítica com vista, não só à difusão dos grandes pensadores, mas também a um seu mais claro entendimento para melhores debates sobre as questões vitais que levantaram e que a todos preocupam.

  • Foto de perfil Anísio disse:

    Muito bacana o curso. Sou um amador (de) em Espinosa. É, de fato, um caminho árduo, uma luta, se colocar na busca da sabedoria. Se fosse possível, gostaria que me ajudassem a esclarecer melhor a questão a que tenho chegado em minha empreitada com Espinosa: Sendo modo finito, nossa perspectiva de olhar o mundo se dá a partir da finitude; a beatitude, porém, é a busca por olhar a vida pela perspectiva da eternidade. Deste modo, olhar a vida desde a eternidade não é algo fixo, uma perspectiva que se conquista e que se permanece nela pois essa é a perspectiva de Deus. O caminho árduo, portanto, é essa busca que nunca será plenamente gozada por nós uma vez que somos finitos, parte. Seria por aí?
    Um grande abraço e obrigado.

    • Rafael Lauro Rafael Lauro disse:

      Oi Anísio,

      Penso que sim. Trata-se de ser tanto quanto possível como Deus, é uma questão de proporção. Sábio é aquele que consegue ser mais ativo do que passivo, mais livre do que servo, assim por diante. Não se trata de uma evolução e de níveis conquistados, mas de uma prática constante, de um aprendizado cotidiano.

      Abração!

  • Foto de perfil José Antônio disse:

    Sou historiador de formação e recentemente assumi algumas turmas de filosofia no cursinho onde trabalho. Comecei a ler algumas coisas mais gerais (pois na universidade de história, passeamos pouco por autores seminais da filosofia). Mas quando cheguei em Espinoza, fui convidado a conhecer sua obra mais de perto de forma muito forte. Isso graças ao podcast de vocês, do qual sou ouvinte assíduo. Adoro as discussões e a forma como a filosofia ganha vida. O curso dos conceitos fundamentais é muito legal! Tá me ajudando a caminhar em sua Ética. Grande abraço para vocês!

  • Foto de perfil Nathalia Silva de Freitas disse:

    Incrível! Muito bom começar o ano assistindo vocês nesse curso. Obrigada!

  • Foto de perfil Alex disse:

    Obrigado Rafael Trindade e Rafael Lauro tenho 17 anos e escuto vocês desde os 16 seu conteúdo têm mudado minha visão sobre a vida e me deixando casa vez mais apaixonado por Filosofia, principalmente sobre Deleuze e Espinoza, só tenho a agradecer pelo curso graças a vocês também escolhi um tipo de escrita baseada no Oque é um conceito e Oque é Filosofia do Deleuze, estou apaixonado por isso estou me dedicando a tentar criar conceitos para trazer outra visão de mundo para as pessoas e se possível aprender com outras visões também, obrigado de coração por tudo

  • Foto de perfil Lucas Michel Rodrigues de Almeida disse:

    Parece que Espinosa aplicou perfeitamente o conceito de amor fati e o desenvolveu.

  • Foto de perfil Tom Rocha disse:

    Rafas, tudo bom? Tô amando o conteúdo de vocês. Tanto no podcast, quanto essas aulas incríveis. Vou com certeza começar a contribuir financeiramente para o projeto, pq vai valer cada centavo! Empolgado desde já com as próximas aulas e demais cursos.

    Uma dúvida: ouvindo um episódio sobre Espinosa no podcast (e provavelmente já estou me adiantado aqui, pois não vi ainda as próximas aulas), fiquei com uma dúvida em relação ao Livre Arbítrio.

    O que eu entendi é que não há livre arbítrio para Espinosa, pois uma vez que tudo provem dessa necessidade da natureza, tudo é apenas como deveria ser. Correto? Mas, caso você deixe a ignorância/servidão para trás, ou seja quando estamos concientes em relação a este fluxo constante, podemos priorizar os encontros positivos. Isso já não seria uma escolha? Ou ainda sim, uma ilusão?

    • Rafael Lauro Rafael Lauro disse:

      Fala Tom,

      Que ótimo que você está gostando. Obrigado pela mensagem.

      Espinosa descarta o livre-arbítrio e concebe uma noção de liberdade que não vai contra a visão determinista da natureza e também não é apenas ilusória. Esse é um dos pontos mais difíceis de entender na filosofia dele. A última aula desse curso aborda essa questão. Basicamente, se trata da ideia de que a necessidade é justamente aquilo que possibilita a liberdade, não enquanto um colocar-se acima da natureza, mas agir junto dela.

      Abração!

  • Foto de perfil Daniella disse:

    Estou escrevendo um trabalho final de graduação tentando pensar a relação entre o desejo (a partir da imanência) e a educação. Tanto as aulas como os textos do blog têm sido fundamentais nessa caminhada. Vocês foram a ponte que possibilitou o meu encontro com Espinosa (e seguem sendo grande inspiração). Obrigada por isso e pela clareza, dedicação e disponibilidade. Espero um dia poder contribuir tb!

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