por Robson Matos e Rafael Trindade
Vivemos em um mundo complexo, veloz, conectado mundialmente por essa rede invisível de interações chamada Internet. Porém, na medida em que aumentamos nossa capacidade comunicativa, diminuímos nossa capacidade intelectiva. É mais ou menos assim: nos murais facebookianos, nas twittadas frenéticas e nas passarelas do Instagram, todo mundo fala e ninguém se entende.
Somos a Geração Bonsai. Todo o nosso crescimento só cabe dentro dos limites de uma postagem rápida. Sempre de peito inflado, mas de cabeça baixa, esperamos a resposta do Whatsapp. Sonhamos com grandes distâncias, mas não passamos da esquina de nossa casa. Viajamos o planeta com o Google Maps, mas não sabemos mapear o nosso bairro.
Moldaram-nos a pensar que assim estava bom, nos deram uma cama, um apartamento, um cubículo no escritório, um lugar espremido no metrô da volta para casa. Acostumamos a ver o mundo pelos filtros alheios, pelos olhos de outrem. Esquizofrenia real é quando nos deslumbramos com os documentários do Discovery Channel sobre o reino animal e as belezas naturais, mas não enxergamos a flor na calçada, a falta de verde e de vida em nossas cidades de cal e pedra. Como bons seres bonsai, cultuamos nossa arvorezinha doméstica, mas não nos importamos se a prefeitura local destrói uma reserva ecológica toda para favorecer empreiteiras.
A Geração Bonsai se acha muito bem talhada e cheia de exuberância, mas foi cortada e moldada por mãos externas. O homem tolo se acha dono de seu destino, mas não consegue perceber que está percorrendo um caminho traçado enquanto ainda dormia. Nem X nem Y, a Geração Bonsai pensa que vive com intensidade quando vai ao cinema 3D e se enche de orgulho quando recebe muitas curtidas nas redes sociais.
Aprendemos a viver nossa pequenez. Pobres leitores apressados de tweets, não vemos como nos curvamos sobre a tela de nossos celulares e perdemo-nos nas poucas polegadas de cristal líquido que nos separa do mundo real. O mito da caverna se torna assustador, quase apocalíptico, quando preferimos tirar um selfie com Monalisa em vez de apreciá-la.
Nossas colunas tortas parecem caules cansados de tanto que somos submetidos à tesoura desse behaviorismo vegetal. Pequenas árvores, vivas, mas tortas, ceifadas em sua real potencialidade. Não, um bonsai jamais será uma árvore. Um bonsai será sempre uma árvore aleijada, podada desde a mais tenra infância. É fácil se achar grande em um vaso tão pequeno.



