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Mafalda

Uma maldita pedra no meio do caminho. Ela tinha que estar logo ali, no meio, na passagem, na contramão. Ela bem que merece ser lançada longe.

Esse é o problema das pedras; elas só servem para fazer tropeçar. Ninguém nunca caiu sozinho: é culpa das pedras.

Vai ver que fazer tropeçar é a tendência natural das pedras, não há como recuperá-las dessa inclinação maligna. Há como que um pacto entre elas e o chão, eles nos querem trouxas, trôpegos como bêbados, trilhando um caminho de desvios por entre suas ameaças, travando uma batalha entre quedas, uma travessia por um campo minado, o eterno-retorno da decepção!

Devíamos ser mais sensatos e extinguir as pedras desse mundo: há de se proteger os bons de toda essa desventura. Deve haver um mundo onde as pedras não derrubem ou onde elas ao menos não habitem os meios dos caminhos alheios. Mas não. Estamos todos fadados à perturbação, ao encontrão, ao tropicão!

Este mundo em que as pedras fazem cair não merece apreço. Malditas criaturas vis!


20140106
Macanudo

Escrito por Rafael Lauro

Sou formado pelos livros que li, pelas músicas que toquei, pelos filmes que vi, pelas obras que observei, pelos acontecimentos que presenciei e pelos relacionamentos que tive. Sou uma obra aberta.

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