Não temos paz, temos medo”

Leitura:

Rafael Lauro

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  • Matheus Cervo disse:

    Muito interessante o ponto de vista da Marilena Chauí. Sempre gostei dela pelas palestras que assisti apesar de não ter uma leitura profunda da autora. Tem alguns pontos, porém, que me deixaram pensativo durante a escuta ao podcast que eu gostaria de compartilhar de forma humilde.

    Primeiro, o uso do termo “mito”. Parece-me que sempre foi utilizado como se o mito fosse um véu que esconde determinada verdade sobre a sociedade brasileira. Eu acho que nesse caso, seria muito mais apropriado usar o termo falácia ou algo semelhante, já que o “mito” é específico dos estudos mitológicos (claro) ou antropológicos. Tem aí uma diferença fundamental entre o que é historiografia e o estudo sobre memória, já que os mitos e mitemas sempre nos guiam na condução de uma organização do tempo específica. É aquela velha questão dos mitos de prometeu e de fausto na modernidade que não são nem mentira e nem verdade, apenas são o que são e ajudam a organizar nossa noção de progresso e racionalidade.

    Outra questão é sobre a escolha de análise de como opera A SOCIEDADE BRASILEIRA enquanto macro categoria possível de ser alcançada. Eu acho muito interessante em alguns aspectos, mas me parece muito com os textos do Sérgio Buarque de Holanda e essa galera da historiografia do Brasil. Parece que não há uma relativização do que é essa “comunidade imaginada” de brasileiros com diferenças brutais entre pessoas que moram em diferentes locais nessa extensão territorial imensa. Apesar de terem semelhanças bem peculiares, acredito que a casta de mais ricos da capital de São Paulo é extremamente diferente dos senhores de terra do interior do Rio Grande do Sul, por exemplo. Acho que ficar nessas macro análises também nos afasta de alguns textos que nos ajudam a perceber o todo – nesse caso, o Brasil – a partir de vários pequenos locus de construção social de longa duração. Eu acho que análises melhores nos ajudam a agir politicamente melhor, porque, apesar de vivermos em uma sociedade nacional que sofre os efeitos da globalização, entender o que ocorre ao nosso lado é o primeiro passo para ação.

    Nesse sentido, eu acho que uma bibliografia sobre Antropologia Urbana ou outros campos como Antropologia/Filosofia da Ciência são muito interessantes para entender as coisas de outros pontos de vista.

    Obrigado pelo acolhimento das reflexões

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