A vida é um conjunto de forças que resistem à morte” -Bichat

Freud ainda é muito influente em nossa visão de mundo e hoje quero discutir um conceito que me incomoda colocando-o em tensão com o pensamento de Espinosa. Trata-se do conceito de Pulsão de Morte em Freud, e conatus em Espinosa.

A Pulsão de Morte foi uma reviravolta para a psicanálise, gerou uma comoção geral dentro do círculo de Viena. Para Freud, toda tensão gerada no organismo era sentida como desprazer, e sua consequente descarga era sentida como prazer. Poderíamos dizer que após a primeira tensão que dera origem à vida surgira, concomitantemente, uma pulsão para levá-la novamente ao estado inorgânico. Esta “hipótese”, “especulação”, foi o que originou a Pulsão de Morte, uma força que eliminaria toda tensão no indivíduo levando-o ao estado inorgânico.

Esta força estaria em luta com as forças que procuram manter a vida: Eros. Trata-se de uma dualidade, Eros “complicaria” as coisas buscando unir as partículas vivas em unidades cada vez maiores, já a Pulsão de Morte, ou Tânatos, procuraria desfazer as ligações. As pulsões trabalhariam sempre em oposição umas às outras e essas forças destrutivas seriam desviadas para fora pela Pulsão de Vida na forma de agressão, ajudando o organismo a manter-se protegido.

Uma pulsão é um impulso, inerente à vida orgânica, a restaurar um estado anterior de coisas, impulso que a entidade viva foi obrigada a abandonar sob pressão de forças perturbadoras externas” – Freud 

Schopenhauer já havia proposto essa ideia, não passa da velha busca do romantismo por algum estado anterior de perfeição perdido depois do pecado original, da nossa queda, ou da saída do útero da mãe (esta é, inclusive, uma proposição psicanalítica). Neste ponto, Freud é fruto de sua cultura, mais um entusiasta do movimento alemão “sturm und drang” (Tempestade e Ímpeto); em sua ingenuidade, ele propunha conceitos a torto e a direito como se houvesse algum lugar de volta para onde a psicanálise pudesse nos levar.

Espinosa, por sua vez, tem um pensamento ensolarado, muito diferente da Europa nublada de Freud. Apostar na potência do ser, na afirmação da vida, é muito melhor que uma força agressiva, cruel e mortífera localizada no que há de mais íntimo em nós. Nossa grande crítica para o conceito de Pulsão de Morte pode ser resumida na crítica a esta frase: “Se tomarmos como verdade que não conhece exceção o fato de que tudo o que vive morrer por razões internas” (Freud).

Espinosa nos traz uma perspectiva diretamente oposta. Na terceira parte de seu livro, Ética, ele nos diz: “nenhuma coisa pode ser destruída, a não ser por uma causa exterior” (Ética 3, Prop. IV). Esta é a definição de conatus (veja aqui), a essência de tudo que existe, a manifestação divina em nós, prova de que fazemos parte de um Deus que se confunde com a natureza.

Seguindo este raciocínio, o filósofo pode concluir: toda coisa se esforça, enquanto está em si, por perseverar no seu ser” (Ética III, Prop. VI), isto porque o conatus é a força que cria condições de sermos e permanecermos na existência, é uma força puramente positiva e afirmativa, imanente a todas as coisas. A pulsão espinosista (se assim a podemos chamá-la) faz novas conexões, ela cria para ela mesma suas próprias condições, sendo assim, a vida está sempre preenchida. Ela quer o encontro que compõe, quer criar tensão. Diferentemente da Pulsão de Morte, que busca o inorgânico, o imóvel, o fim da tensão (nirvana), podemos entender o conatus em Espinosa como uma prazer na relação, busca pelos bons encontros, confiança na vida, uma força única, monista, que abarcaria toda natureza (veja aqui).

O prazer de Freud é reativo. Prazer como descarga, alívio da tensão; isto não lembra os “happy hours”? O fim do expediente? Aquela cerveja no fim do dia que nos faz aguentar o próximo. Todo prazer reativo é onanista (veja aqui). Para Freud, o prazer é uma descarga de energia que nos faz retornar a um estado anterior, uma fuga da realidade. Mas retornar para onde se a pulsão nos faz diferenciar-nos de nós mesmos? Voltar pra quê, se podemos atingir novos lugares, ter novas ideias, agir de maneiras diferentes? O prazer que quer o retorno, a paz, é uma busca pela preservação de si, mas preservar-se é pouco (Freud queria pouco, não foi além da preservação), queremos a tensão que nos dá a capacidade de diferenciar-nos de nós mesmos! Segundo esta nova concepção, devemos querer mais pulsão! Para ir cada vez mais além, criar mais!

Talvez o problema para Freud seja a tensão, porque esta gera movimento, vida, variação, diferença. Qual é o problema freudiano? Ele também era neurótico, talvez. Comer gera tensão? Mas a energia acumulada na comida é interiorizada para ser utilizada posteriormente a serviço da vida. A tensão também pode gerar prazer, pense na pressão criada em seu tímpano ao ouvir uma música, pense no contraste das cores de um quadro, pense nas preliminares de uma relação sexual. Talvez os psicanalistas prefiram telas em branco, ou talvez Freud não gostasse de preliminares! Ele não acredita na vida o bastante para aceitar o movimento, a tensão, a diferenciação, a guerra, nem mesmo em seu sentido lúdico.

Freud não consegue resolver o problema porque atua no efeito e não na causa. Espinosa inclusive tenta nos precaver contra aqueles que “falam mal dos afetos”. Tânatos não será entendido como destruição se olhá-lo nos olhos e vermos seu verdadeiro poder de criação. O devir é ao mesmo tempo uma destruição e uma criação. Com medo do Id, o psicanalista passa a vê-lo como um olhar moralista, desta forma é inevitável não descrevê-lo como um assassino agressivo que deve ser repudiado ou temido. Assim, seguimos temendo o que há de mais essencial em nós. Quanto mais nos esforçamos moralmente por esconder estes impulsos, mais eles nos aparecem assustadores. 

A simples hipótese de uma Pulsão de Morte já soa um oxímoro:

Espinosa faz parte daqueles para quem a simples ideia de uma pulsão de morte é um conceito grotesco, absolutamente grotesco, que é realmente, Aaaaah…” – Deleuze, Curso Sobre Spinoza.

É um contra-senso dizer que uma pulsão possa ser de morte, que haja uma força em nós que leva a nós próprios para a morte. Espinosa nos trás o contraponto: “enquanto considerarmos somente a coisa e não as causas exteriores, nada podemos encontrar nela que a possa destruir” (Ética III, Prop, IV, Dem.). Se pulsão é desejo, e se o desejo  se expressa como conatus, então toda pulsão é de vida. Para exagerar a comparação e deixarmos mais claro ainda: para Espinosa só há pulsão de vida, sempre. A inevitabilidade da morte não é um argumento bom o bastante para naturalizá-la como uma pulsão, isto porque a minha morte é o começo ou continuação de outras vidas. Todo ser procura permanecer em si, e mais, aumentar sempre sua potência. Para Espinosa, se há potência, e ela só pode ser potência de vida.

Analisando mais a fundo, Tânatos é o típico procedimento do escravo nietzschiano: inverter e tomar como natural uma incapacidade própria (a Pulsão de Morte não poderia ser nada mais que a criação de um ressentido). Se em Freud, a Pulsão de Morte é maior que a pulsão de vida, em Espinosa, a pulsão de vida (prefiro usar conatus) é o que há de maior em nosso mundo, uma força que procurar compor o máximo possível, crescer, tornar-se pródiga. Que visões diferentes entre estes autores, um psicanalista que aposta na morte e um filósofo que aposta na vida.

E como se não bastasse, Freud ainda nos dá sua interpretação de cura: amansamento das pulsões e fortalecimento do Ego. Amansamento das pulsões? E por acaso queremos um amansamento das pulsões? Pelo contrário! Um corpo anestesiado gera uma mente anestesiada e, por fim, uma vida medíocre! Fortalecimento do Ego? Mas o Ego é justamente um enfraquecimento da potência em nós, uma prisão, enfim, uma ilusão: não queremos fortalecer ilusões! Não nos cansaremos de relembrar: o desejo não quer retornar, quer ir mais longe! Não quer destruir, quer criar! Por que foi tão difícil para Freud entender isso? O prazer na psicanálise é tipicamente reativo, é um prazer triste (sim, existem prazeres tristes).

Existem certos aspectos da teoria de Freud que já podem e devem ser ultrapassados por causa de seu mais absoluto niilismo, frutos de um homem e uma época doentes. O próprio Freud admitiu muitas vezes que suas teorias provavelmente seriam ultrapassadas por pesquisas futuras; em nosso caso, podemos dizer que as ideias de Freud podem inclusive ser ultrapassadas por teorias passadas. O psicanalista encontra limites históricos, mais do que isso, limites em um momento niilista da história. Minha sugestão é trocar a clínica das pulsões pela clínica da potência: proponho um retorno a Espinosa!

Não há nada que o homem livre  pense menos que na morte, e sua sabedoria não consiste na meditação da morte, mas da vida” – Espinosa, Ética IV, prop. 67

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Escrito por Rafael Trindade

Artesão de mim, habito a superfície da pele, atento para o que entra e sai.

24 comentários

  1. Rafael,
    Não sou tão estudioso quanto você. Nem estudei tanto Freud quanto mais Espinoza. Mas sinto, pelo que li (e pelo que entendi, que não foi tudo) que você coloca Freud como Tânatos e Espinosa como Eros, pensando em personagens mesmo. Só que nesta luta entre bem e mal (morte e vida) já sabemos que o bem vence. Isso é batido. Sua preferência pelo filósofo é clara e transborda principalmente quando você fala do vilão Freud, fazendo da sua ironia ao retratar dele um desejo seu. Não li o quanto gostaria do pai da psicanálise, mas estive na casa (e fiz cocô lá, e dedico ele a você) em que ele viveu o último ano antes de chegar sua morte. Não encontrei com ele, é verdade, mas encontrei com suas memórias e não o senti como um niilista como você o retrata. E de fato nunca li a pulsão de morte proposta por ele da maneira como você retratou aqui (em comparação com conatus de Espinoza). A interpretação da obra de Freud passa pela sua subjetividade, e encontra, claro, com diversos autores que habitam seu pensar. Meu desejo (entrando de acordo com o desejo que você cita no texto) é que um dia você escreva sobre Freud sem apontá-lo como neurótico, isto é, um desafio que lhe faço de tentar não se banhar pela sua paixão por Espizona para ler Freud. Concordo que Freud está ultrapassado em diversos aspectos, e acredito também na sua limitação histórica. Também é verdade que eu acredito que se Freud fosse vivo, ele mesmo teria reformulado sua teoria e como não pode, outros fizeram isto por ele. Concordo que alguns autores do passado podem ter feito teoria mais próximas à nossa atualidade que a feita por Freud… Só não sei se concordo com tanto desprezo pelo autor, por isso o desafio. Não sei se vejo a pulsão de morte freudiana como você aqui mostrou.
    Besos

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    1. Fico muito feliz de discutir a questão com um colaborador do Blog!

      É verdade, a visão é muito parcial, mas acho que a intenção da série “Contra-História da Psicologia” é trazer esta tensão entre a historiografia oficial e a versão dos bastidores.

      É inegável a importância de Freud para a psicologia, sua genialidade é explícita e sua influência inegável. Exatamente por isso podemos usá-lo sem medo de sujar seu nome.

      As minhas críticas para Freud são pontuais. No caso da pulsão de morte, realmente fico incomodado com o conceito, ainda mais lendo filósofos como Espinosa. Acredito que o choque de idéias será importante para filtrar o que ainda podemos utilizar ou não de Freud na atualidade.

      PS: obrigado pela dedicação! me sinto honrado!

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      1. Engraçado, não vejo as pessoas tentando se matar nos momentos em que estão realmente felizes.
        Sim, deve ter muita coisa ainda pra ser melhor elaborada nessa tal Psicanálise…

        Abraço!

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  2. Freud, ao meu ver, é um grande autor com seus equívocos, não tive a impressão de que o Rafael o menospreza completamente. Em princípio, tive apenas a impressão de que é uma ótima abordagem crítica sobre o conceito da “Pulsão de Morte”. Meu ponto de vista se assemelha bastante ao seu Rafael. Jung também se contrapõe ao conceito. Neste trecho há um esboço da superação deste conceito:
    “Ao observar a via de desenvolvimento daqueles que silenciosamente e como que inconscientemente se superavam a si mesmos, constatei que seus destinos tinham algo em comum: o novo vinha a eles do campo obscuro das possibilidades de fora ou de dentro, e eles o acolhiam e com isso cresciam. Parecia-me típico que uns o recebessem de fora e outros, de dentro, ou melhor, que em alguns o novo crescesse a partir de fora e em outros, a partir de dentro. Mas de qualquer forma, nunca o novo era algo somente exterior ou somente interior. Ao vir de fora, tornava-se a vivência mais íntima. Vindo de dentro, tornava-se acontecimento externo. Jamais era intencionalmente provocado ou conscientemente desejado, mas como que fluía na torrente do tempo.”
    O Segredo Da Flor de Ouro (Um Livro de Vida Chinês) – C. G. JUNG & R. WILHELM p.25

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  3. Eros e Tânatos foi um conceito criativo de Freud como tantos outros que le nos deu. Parem de levar o cara a sério e deleitem-se com suas deliciosas alegorias e invencionices da belle époque, que se não conseguiram mudar o mundo como ele pensou, pelo menos transformam em prazer a leitura de sua obra um século depois. Ele é a própria definição do pensamento vitoriano. É como escutar Robert Jonhson: só é bom se você souber contextualizar. Eu também fui na casa dele em Viena, mas não fiz côcô como o leitor Viniscius acima, que certamente seria taxado pelo célebre neurologista como um anal obsessivo

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  4. Belo texto e apanhado.

    Só fico meio travado na passagem “Não quer destruir, quer criar!”

    Para mim são pulsões de qualidades similares, quiçá idênticas, diferenciadas apenas pelo grau… “Todo transgressor é um criador” etc.

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  5. Eu não entendo nada de nada, sou mais psicanalizado do que pscanalísta…. Mas uma coisa é clara, indiscutível, elementar ou melhor, lídima: As preliminares são sim tensão. E sim, são prá lá de boas… Intangivelmente tensas! 🙂
    Bom carnaval a todos do blog.
    🙂

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  6. Argumentação bastante forte, até difícil questionar, mas trabalhando com psicanálise há alguns anos tenho a impressão de que falta um certo felling, que nao é facilmente acessado apenas ao ler freud, é preciso experienciar suas proposições. Se bem entendi, aqui freud aparece como um defensor da pulsao de morte, e nao é na morte que se baseia a psicanálise. É no conflito. Se freud era um entusiasta de algo, ele o era do conflito entre pulsoes, nao de uma em especial. Sendo assim, ele evidencia a existência de algo q resiste ao movimento, mas também de algo, igualmente genuíno e essencial, que busca o movimento. E o bacana é sim que neste conflito, o resultado seja sempre movimento. Além disso, psicanálise nao busca cura, mto menos um amansamento do id. e o ego nao é a instância mental que barra id, isso é trabalho do superego. O ego somos nos mesmos, quando nao reféns nem de um (id) nem de outro (superego). A psicanálise busca a descoberta de si mesmo, a criação de recursos internos, que só é possível justamente porque o id é infinito, sem bordas, nem mesmo de tempo e espaço. E sobre o título, acredito que freud nao buscava que seus pacientes tivessem medo da pulsao de morte. Pelo contrário, seu trabalho buscava justamente compreender esse medo que existe dentro de cada um de nos e assim nos ajudar a nao mais se submeter a ele. Psicanálise também busca ampliação, criação, vida. Mas sem negar a existência de forças destrutivas em nós mesmos.
    Agradeço a reflexão, a lida e a oportunidade de pensar esta!

    Curtido por 1 pessoa

  7. Você entendeu bem Spinoza, mas não creio que leu (e lê) bem a Freud. Além disso você foi muito ousado em dizer onde ele não é capaz – me faz até ter a dúvida se você é capaz de falar isso! Rsrsrsrs – mas adorei as ideias, só não tô afim de dissecar o texto e mostrar onde discordei. Seria cansativo. Abraços!

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  8. Meu caro, Freud não era filósofo você deve bem saber, ao contrário de spinosa, não vejo onde ele supera Freud achei o texto bastante equivocado.

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  9. A distorção ou ignorância do real significado dos conceitos psicanalíticos é impressionante.

    Sim, para a psicanálise toda a tensão é sentida como desprazer, e é função do aparelho psíquico descarregar tal tensão e retornar ao estado de inércia. No entanto, esta TAMBÉM é a função da Pulsão de VIDA. Tanto é que o objetivo da pulsão de vida ao promover a ligação com outros objetos TAMBÉM serve para a redução de tensão, pois tais objetos são usados para a realização do desejo (de reduzir a tensão).

    O princípio do prazer (guiado pela pulsão de VIDA) tem a ver com a redução o mais rápido possível da tensão, para cumprir o objetivo do aparelho psíquico. Ele se choca com o princípio de realidade, que obriga a pulsão a se comportar de maneira mais moderada, buscando formas menos radicais da eliminação da pulsão.

    A pulsão de vida busca a mesma coisa que a “pulsão espinosista”, as relações, a criação, os bons encontros, mas com o objetivo de eliminar a tensão, que é sentida como desprazer/dor.

    “Para Freud, o prazer é uma descarga de energia que nos faz retornar a um estado anterior, uma fuga da realidade” – só é uma fuga da realidade se você FUGIR da realidade. Se você usar a realidade para atingir esse fim da redução de tensão, você não está fugindo dela, e sim se relacionando com ela.

    “Voltar pra quê, se podemos atingir novos lugares, ter novas ideias, agir de maneiras diferentes” – nós atingimos tudo isso buscando pela satisfação das tensões geradas em nós pela insatisfação do desejo. É isso que nos move para a psicanálise. Isso não é se contentar com pouco.

    “Comer gera tensão?” – NÃO. A FOME gera tensão, comer gera a REDUÇÃO dessa tensão, o PRAZER. Essa simples frase já mostra o desentendimento da teoria freudiana, você está confundindo tensão com prazer.

    “A tensão também pode gerar prazer” – SIM, foi exatamente por isso que Freud desenvolveu sua teoria da Pulsão de Morte em “Além do Princípio do Prazer”, por perceber que existem ações humanas em que ocorre o sentimento de prazer na dor, e inclusive um dos exemplos utilizados por ele é justamente a resposta da sua próxima frase:
    “talvez Freud não gostasse de preliminares!” – Freud explica a excitação pré-sexual como sendo um aumento do limiar do princípio de prazer que permite que a sensação do aumento de tensão seja percebido como prazer ao invés de dor! Mas que se essa situação for prolongada e uma descarga não ocorre, isso torna-se desprazer, insatisfação. Isso já mostra outro conceito freudiano mal entendido no texto.

    “Com medo do Id, o psicanalista passa a vê-lo como um olhar moralista, desta forma é inevitável não descrevê-lo como um assassino agressivo que deve ser repudiado ou temido” – aonde você vê o olhar do analista como moralista?

    “Quanto mais nos esforçamos moralmente por esconder estes impulsos, mais eles nos aparecem assustadores” – EXATAMENTE POR ISSO as histéricas de freud adoeciam e EXATAMENTE POR ISSO surgiu a psicanálise, para que esses impulsos não fossem negados e escondidos, mas reconhecidos e aceitos. Esse é o objetivo da análise.

    “A inevitabilidade da morte não é um argumento bom o bastante para naturalizá-la como uma pulsão, isto porque a minha morte é o começo ou continuação de outras vidas.” – isso aí não entra no platonismo e idealismo? Minha morte pode não significa pra mim o começo de nada, a não ser que eu procrie e considere minha procriação como um “começo de vida após minha morte” ou que eu considere uma noção platônica de continuidade do espírito, que vocês parecem igualmente desprezar. Além disso, pros Existencialistas, como Heidegger e seu “ser-pra-morte”, que ignoram uma pós vida ou algo do tipo, a inevitabilidade da morte é um argumento mais do que suficiente. São perspectivas filosóficas diferentes, e justamente por isso são contraditórias, mas partindo apenas disso é impossível saber qual delas está certa (se é que uma delas está).

    O amansamento das pulsões deve ocorrer por que é impossível encontrar objetos de satisfação plena no mundo. Aumentar as pulsões é aumentar o sofrimento frente aos limites da realidade em fornecer objetos para satisfazê-la. E o fortalecimento do Ego, como eu disse em outro comentário, é algo desprezado por Lacan e pela linha francesa, que o considera justamente como uma alienação do Sujeito.

    Outra crítica que faço é a essa consideração da psicanálise como fruto de uma época doente. Não são todas as filosofias frutos de épocas diferentes da humanidade? O espinosismo não é fruto da época em que o autor vivia? Ou você considera unicamente um “niilismo” que o desagrada como temporal, enquanto as ideias de uma filosofia que o satisfaz como atemporais? Não acho que Nietzsche concordaria com isso…

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