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A filosofia grega dividiu a alma em três partes. Para Platão, no baixo ventre estava a sede da concupiscência ou da temperança; o coração seria a sede das emoções, da cólera ou coragem, enquanto na cabeça estaria a sede do raciocínio e da prudência. Em Aristóteles a definição é muito similar: a parte vegetativa é responsável pela subsistência; a parte animal é responsável pela sensibilidade e movimento; e a parte racional é responsável pelo intelecto e o pensamento.

De certo modo, não é tão diferente para os Estoicos, pois para eles o ser humano ocupa um lugar muito especial dentro da filosofia: ele é um ser racional, isso significa que apenas ele pode ter um acesso perfeito ao Logos. Sendo assim, ele distingue-se do resto dos animais por apenas esta única característica: a inteligência. 

A psicologia significa estudo da alma. Mas diferente do esperado, esta alma faz parte da física, porque ela é corporal. Prova disso é a íntima relação entre os dois: quando estamos doentes não conseguimos pensar, e quando a mente não pensa o corpo padece. Sendo assim, concluem os estoicos, a alma é uma tensão, uma força, um tônus, que une as várias partes do corpo.

Podemos lembrar aqui da influência de Heráclito: a alma é uma força ativa do corpo, formada pelos elementos fogo e ar. Um sopro quente que anima o corpo. Tanto que a etimologia da palavra Psiquê, psukhḗ, significa sopro.

Pois bem, os estoicos pensavam a alma como um sopro quente que, ao nascer, animava o corpo. Prova disso era que, depois do último suspiro, o corpo esfriava. Então a alma seria a parte animada do corpo, viva, capaz de compreensão e de realizar movimentos.

E como os estoicos descrevem a alma? Existe uma unidade, mas ela pode ser entendida em suas partes separadas. São ao todo oito partes: uma dirigente, os cinco sentidos, a parte reprodutiva e a voz (linguagem).

  • Cinco sentidos: temos em nós a capacidade de sentir o mundo, então a alma é capaz de receber, ser afetada, por estas sensações. Os sentidos são a parte da nossa alma responsável por trazer estas sensações. Se localizam em toda a pele, nos olhos, no ouvido, na superfície da língua e dentro do nariz;
  • A parte reprodutiva se desenvolve depois, quando o indivíduo se torna mais velho e entra na puberdade. Ela é ativa, pois nos move em direção aos corpos que nos atraem. É a parte da alma responsável pelo desejo sexual e continuação da vida;
  • A Voz é a parte da alma responsável pela linguagem, pela compreensão e comunicação. Ela também se desenvolve ao longo do tempo, pois quando nascemos ainda não falamos.
  • A última parte é a hegemônica, porque todas as partes se referem a esta parte central. Ela é responsável por juntar todas as informações e agir da melhor maneira. Realizar uma ação, tomar uma atitude.

Os estoicos pensavam que a melhor maneira de representar a alma é com a figura de um polvo. Isso porque a alma é capaz de duas coisas: ela é a absorção de dados sensíveis, ou seja, ela é capaz de experimentar coisas, e ela é o movimento em determinada direção, ou seja, ela é capaz de aderir ou não ao que experimentou. O polvo simboliza este movimento de receber impressões do exterior, mas decidir ou não por uma determinada ação.

Em suma, cabe à alma assentir às representações verdadeiras e às inclinações conforme a natureza. Através da razão, o homem é capaz de aderir às coisas que convém à sua natureza e afastar-se daquelas que não fazem parte de sua natureza.

A Razão, a alma intelectual é a grande responsável pela sabedoria, pois apenas através delas podemos tomar os melhores caminhos. 

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Rafael Trindade

Autor Rafael Trindade

Quero fazer da vida o ofício de esculpir a mim mesmo, traçando um mapa de afetos possíveis.

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Cristóvão
Cristóvão
5 meses atrás

Excelente texto!