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Por que dizer que existe um “Novo Liberalismo”? Bom, não podemos dizer que o Neoliberalismo é uma evolução natural do Liberalismo. Muito pelo contrário, ele muitas vezes faz questão de mostrar as limitações das ideias liberais clássicas.

Precisamos aceitar que o neoliberalismo sucede o liberalismo. Mas de que maneira? Ora, realizando um aprofundamento de certas ideias e uma modificação de outras. Trata-se de um liberalismo com nova cara, mais agressiva talvez, mais ousada. Ele é diferente! Trata-se agora de uma intervenção tanto mais pesada quanto mais imperceptível.

Dentre seus objetivos está a imposição de relações estritamente mercantis: alguns o chamam de fundamentalismo de mercado. Ou seja, tudo estará dentro da lógica mercantil de compra e venda, concorrência, preços, dinheiro. Isso nós já sabíamos: confiança e amor obsessivo pelo livre empreendimento.

Em relação ao primeiro liberalismo, o que se abandona agora é a “Fobia de Estado”. Para começar a pensá-lo como instrumento de intervenção possível. Agora passa a ser função do Estado estabelecer continuamente as condições de concorrência. Ele deve intervir sempre que necessário para fazer as engrenagens da economia continuar girando com máxima eficiência.

Ou seja, é como se a sociedade não fosse suficientemente capitalista e precisasse o tempo todo de intervenções estatais para manter uma racionalidade mercantil e competitiva. O neoliberalismo quer fazer o capitalismo continuar funcionando, nem que seja na marra!

Dito de outra maneira: é como se as pessoas ainda não estivessem preparadas suficientemente para o capitalismo! É como se as subjetividades para este sistema ainda não estivessem prontas. Pensando desta maneira, é preciso mudar o próprio homem, não o sistema! Adaptar a subjetividade moderna para um modelo econômico vigente.

Podemos dizer, pura e simplesmente, que o neoliberalismo é uma governamentalidade cujo objetivo é conduzir a conduta dos homens de modo a pensá-los como empresas, como capital humano, como empreendedores de si mesmos em busca de crescimento e conquistas econômicas.

O neoliberalismo é precisamente o desenvolvimento da lógica do mercado como lógica normativa generalizada, desde o Estado até o mais íntimo da subjetividade”

– Pierre Dardot e Christian Laval, A Nova Razão do Mundo, p. 34

O Nascimento da Biopolítica se dá, para Foucault, como o conjunto de estratégias que nascem com o liberalismo e se aprofundam com o neoliberalismo. Colocando certos valores em detrimento de outros: individualismo extremo, desempenho contínuo, risco sempre assumido, concorrência infinita, etc.

O problema do neoliberalismo é, ao contrário, saber como se pode regular o exercício global do poder político com base nos princípios de uma economia de mercado”

– Foucault, Nascimento da Biopolítica, 181

neoliberal“Economia é tudo”, dirão os economistas. E nós acreditamos! Agora, a mentalidade do poder será exclusivamente a de governar para o mercado! Não há menos intervencionismo, a questão é que agora ele é específico: fazer a economia continuar funcionando, continuar crescendo. O Estado atua para que a concorrência seja plena. Só há um verdadeiro objetivo: lucro, mais dinheiro.

Alguns ideólogos o chamaram de liberalismo Positivo. Se a liberdade liberal era negativa: “não intervenção do estado”, a liberdade neoliberal necessita de uma política ativa, vigilante, reguladora.

O mercado não é capaz de autorregulação, esta espontaneidade é uma ilusão. É preciso ultrapassar essa ingênua proposição. Como? Através da incitação à concorrência infinita e ilimitada. Profunda em todos os sentidos! É o intervencionismo que deve garantir a concorrência.

Escopo da política neoliberal: multiplicação da forma empresa e diminuição do Estado de Bem-Estar Social. Seus principais inimigos? Toda forma de Estado provedor (Social-Democrata, keynesiano) e todo tipo de Economia Planificada (URSS e Nazismo). O objetivo é entravar qualquer política redistributiva, assistencial, planificadora, reguladora ou protecionista.

O Neo do Liberalismo, esta reinvenção está no fato de que agora se pode pensar a ordem de mercado não como algo espontâneo, mas construído. A economia não é uma mão invisível que se autorregula, é uma ordem implementada. Desta maneira é possível estabelecer um verdadeiro programa político, sua continuidade e conservação permanente.

É neste plano histórico que o poder passa a circular, procurando a melhor maneira de submeter e conduzir os indivíduos. Vemos assim um deslocamento da Soberania para a ênfase na Disciplina e na Biopolítica.

Texto da Série:

Biopolítica

Rafael Trindade

Autor Rafael Trindade

Quero fazer da vida o ofício de esculpir a mim mesmo, traçando um mapa de afetos possíveis.

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Jair
Jair
2 anos atrás

Muito bom o texto! Parabénss!

GABRIEL SANTOS
GABRIEL SANTOS
2 anos atrás

O engraçado é que nunca teve uma estruturação orgânica dentro de um sistema de capital baseado na propriedade privada (capitalismo) q no liberalismo, até mesmo o clássico, usa a propriedade privada por conveniência jurídica A “mão invisível” (metáfora) para o auto entendimento da sociedade, as empresas reguladoras privadas do mercado sempre tentaram existir, algumas conseguem mais logo são cartelizadas por subsídios, burocracia e regulamentações, exemplo? As seguradoras, por lógica básica, uma seguradora tem relação direta cm o cliente diferente da ação indireta monopolista do Estado. Capitalismo sempre salvou a humanidade das crises advindas do processo monopolista, de ciclos econômicos, da… Ler mais >

Mariangela Hauschild da Silveira
Mariangela Hauschild da Silveira
2 anos atrás

Os comunistas construíram um monstro: O FASCISMO GLOBAL OU NEOLIBERALISMO GLOBAL!
Agora para dominar o monstro o “Estado oculto” do comunismo internacional quer domá-lo com um vírus de laboratório (3/4 coronavírus , 1/4 um enxerto de HIV), que largaram como experimento para saber o que vai dar (Hitler também gostava de fazer experimentos com seres humanos, não é?), quantos serão os sacrificados e se será o suficiente para destruir totalmente o capitalismo liberal de livre concorrência.
O SER HUMANO PARA O COMUNISTA NÃO VALE NADA, É DESCARTÁVEL!
Pensam que todos tem medo da monstruosidade do comunismo para não enfrentá-lo?

Luiz Henrique Vieira Lins
Luiz Henrique Vieira Lins
Reply to  Mariangela Hauschild da Silveira
6 meses atrás

Mariangela, faltou falar em qual planeta você vive.

Helena Tafuri
Helena Tafuri
2 anos atrás

Olá, Rafael, Rafael e quem acompanha o Razão Inadequada. Eu amo esse site, me apaixonei por Camus e Nietzsche por conta de vcs e agora resolvi estudar Foucault! Queria deixar uma dica nesse comentário: o artigo incrível do meu professor de Sociologia Jurídica, Guilherme Leite, chamado “Acumulação primitiva, expropriação e violência jurídica: expandindo as fronteiras da sociologia crítica do direito”. Ele trata sobre o processo de expropriação contínuo que o Capital exerce e quais são suas características no Neoliberalismo, além de como o Direito exerce papel central nesse processo. Vale muito a pena ler! Outro artigo muito bom é o… Ler mais >

Maria Olympia Conceição de Souza
Maria Olympia Conceição de Souza
Reply to  Helena Tafuri
1 ano atrás

Valeu pela dica!