A palavra imanência pode gerar algumas controvérsias ou desentendimentos. Não para nós! Partimos da ideia simples de que a realidade é em si mesma. Isso significa que a existência não possui fim algum a ser alcançado e que não vive em função de nada exterior. Ou seja, a realidade é o que é, determinada por ela mesma e pelas forças que a atravessam, dito de modo direto: é causa de si, está unida a ela mesma e nada além disso.

A imanência opõe-se à transcendência. Os dois conceitos implicam maneiras radicais de vida, completamente diferentes uma da outra. A transcendência é a causa que se afasta de seu efeito, implica uma criação que solto-se de sua causa. Deus criou o mundo em sete dias é um bom exemplo de transcendência. O criador faz o mundo e depois fica lá, olhando, intervindo caso necessário. Poderíamos dar outros exemplos: leis imutáveis pré-existentes ao universo, que estão para além de nossa realidade; uma finalidade para a nossa humanidade, como o avanço tecnológico, o lucro, ou talvez fazer o bem; um objetivo que conquistaremos como o fim da fome, a paz, etc. São todos exemplos de transcendência, algo que está além, depois, acima, como um ideal brilhando que nos guia.

– Osnat Tzadok

Resolvemos escrever sobre a imanência a partir da perspectiva dos filósofos antigos, pré-socráticos, que eram chamados também de físicos naturais. Eles estavam preocupados apenas em entender a realidade, da maneira que esta nos chega. Seguindo este raciocínio, cada um deles considerou uma substância como essencial na composição de nosso mundo. Foi Empédocles quem fez a união dos quatro elementos essenciais. Para os pré-socráticos, tudo na vida apenas se faz e se desfaz a partir destes quatro elementos substanciais. É o reino do devir! Nada se perde, tudo se transforma; nada escapa, tudo permanece; nada é eterno, tudo está em fluxo.

A imanência é o único meio de viver plenamente esta vida, encontrar seus caminhos internos, suas dobras e protuberâncias sem perder-se em fins exteriores.

– Osnat Tzadok