Gilles Deleuze nasceu em 18 de janeiro de 1925 e é considerado um dos maiores filósofos do século passado. Filho de uma família de classe média, passou a maior parte de sua vida em Paris (não gostava de viajar). Deleuze estudou filosofia na Universidade de Sorbonne, Paris, entre 1944 a 1948. Durante sua vida toda foi professor, primeiro em liceus (até 1957) e depois em universidades como Lyon, Paris VIII e Vicennes.

É bem difícil escrever sobre a vida de Deleuze. Ele era muito reservado, não deixou nenhuma auto-biografia, não gostava de dar entrevistas. Considerava suas obras muito mais importantes que sua vida particular. Apesar de tudo, era uma personagem muito excêntrica, com unhas compridas e um jeito  bem particular de agir e falar (por exemplo, um período de sua vida em que sempre usava chapéu).

Deleuze com seu filho Julian
Deleuze com seu filho Julian

Sua obra pode ser separada em duas categorias: livros de conceitos (como “Diferença e Repetição” e “Lógica do Sentido”, ambos obras primas) e livros de história da filosofia. Apesar de ser considerado um grande historiador de filosofia, sua abordagem é diferente dos seus companheiros, Deleuze mesmo dizia que “fazia um filho pelas costas” de cada pensador que estudava. Sua intenção não é encontrar o “verdadeiro” Nietzsche ou Espinosa. Não, na verdade, os pensamentos dos filósofos que estuda são usados como ferramentas para pensar o presente e por isso reinventa os filósofos sobre os quais admira e escreve: Hume, Bergson, Espinosa, Nietzsche, Leibniz, Kant.

Outra questão muito importante foi a sua obra em conjunto com Félix Guattari, cujo encontro aconteceu em 1969. Anti-Édipo (1972) e Mil-Platôs (1980) podem ser consideradas suas obras mais importantes, ambas com o subtítulo “Capitalismo e Esquizofrenia”. Grande parte das resenhas e conceitos abordados neste blog se situam neste território (ou seria platô?) da crítica ao psicanalismo. Sua obra à quatro-mãos é de extrema importância para o pensamento moderno, principalmente após maio de 68.

Deleuze e Guattari
Deleuze e Guattari

Deleuze lecionou na universidade de Vincennes até 1987 e é conhecido por ter sido um grande professor. Seus cursos eram célebres e frequentados por uma enorme quantidade de estudantes não matriculados que queriam conhecer o mestre dando aula (até mesmo estrangeiros que consideravam as aulas de Deleuze um importante ponto turístico para visitar e conhecer). Também ficou conhecido por desenvolver um filosofia da imanência e do desejo, muitas vezes associada ao pós-estruturalismo.

Desde cedo o filósofo sofria de problemas respiratórios e desenvolveu uma tuberculose em 1968. No fim de sua vida Deleuze diminuíra suas atividades acadêmicas. Seus pulmões estavam muito debilitados. Desde 1992 eles funcionavam com apenas um terço de sua capacidade, em 1995 Deleuze só respirava com ajuda de aparelhos. Então, em 4 de novembro do mesmo ano, Deleuze jogou-se da janela de seu apartamento em Paris, deixando dois livros inacabados. Muitos estudiosos da obra de Deleuze consideram seu suicídio condizente com o pensamento que desenvolveu em vida, Deleuze se mata quando seus órgãos não permitiam mais a vida passar em toda sua intensidade, seu ato final foi uma afirmação de um corpo que estava quase morto. Uma vida que pediu passagem, para fluir em outras direções.

Veja aqui todos os textos relacionados com Deleuze em nossa página

– Textos sobre Deleuze publicados pela Razão Inadequada:

1. Esquizoanálise

2. Abecedário

3. Ritornelo e o Jazz

4. Devir-mulher

5. “Não há padre que não seja onanista”

6. Deleuze: o que é filosofia?

Deleuze e Fanny, sua mulher, foto de 1969
Deleuze e Fanny, sua mulher, foto de 1969

5 comentários

    1. Uma entrada relativamente eficaz para o pensamento deleuziano é o abecedário, que está todo no youtube, se não me engano.

      Para Foucault, talvez os artigos reunidos em microfísica do poder.

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    2. Depende do seu interesse, Éricles. Do Foucault, recomendo o “Vigiar e Punir” ou “Microfísica do Poder”, que tratam da disciplina/docilização dos corpos, a partir de puxados históricos, que mostram a relação de poder daqueles que possuem o saber sobre os corpos, e como as subjetividades vão sendo produzidas neste processo. Do Deleuze, recomendo os “Mil Platôs”, apesar de serem difíceis a priori, sem um conhecimento prévio dos conceitos da esquizoanalise.

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  1. Da mesma forma que Deleuse desconstroi os autores que estudou em benefício do seu pensamento devemos usar seus conceitos para esclarecer e confirmar nossos pensamentos
    Pensar Deleuse sem contribuir com ele seria realizar uma leitura sem ação.

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