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A moderação é uma das 4 virtudes estoicas. Também pode ser chamada de Temperança ou Prudência.

O significado da palavra Moderar vem de modus, que é algo com limites. Ou seja, moderar é pura e simplesmente dar uma medida, dar um limite, encontrar medida pro desmedido, ordenar a desordem, harmonizar a discórdia.

Já a Temperança significa encontrar um bom equilíbrio na mistura. Por isso dizemos, por exemplo, metal temperado (misturado com outros metais e portanto mais resistente) e comida temperada (com os diferentes sabores bem equilibrados).

Outra variação da Moderação é a Prudência, que no latim significa pro-videre, ou seja, ver com antecedência, prever. O prudente é capaz de ver com antecedência o que outros não veem e por isso saber de antemão se algo vai dar certo ou errado, e deste modo pode se preparar para isso.

Mas por que os estoicos colocavam a Moderação como uma virtude fundamental? Ora, pensemos no raciocínio de Nietzsche: “Viver é pensar, pensar é pesar, pesar é dar um valor”. Por isso o filósofo alemão definia o ser humano como aquele que dá valores. Sendo assim, a moderação é a capacidade de dar o correto valor às coisas, não um valor transcendente, mas o mais apropriado para nossa vida.

Por isso, dizem os estoicos, a moderação está ligada à Lógica e à Disciplina do Assentimento: a moderação pergunta qual o valor que damos às coisas? Será que é o valor correto? Ou será que não nos enganamos e por isso nossa vida está pior do que poderia ser? Temos que examinar estes valores e juízos e descobrir se são realmente assim ou não, da mesma maneira que verificamos se uma moeda é falsa e portanto não vale nada.

A moderação é uma virtude essencial para a felicidade porque encontra a medida das coisas e nos mostra que podemos estar enganados. Ao tomar o ruim pelo bom nós nos afastamos de nossa essência e dificultamos nossa capacidade de florescer. Ao tomar o certo pelo errado, nos encaminhamos para nossa servidão, não para nossa liberdade.

Sendo assim, podemos dizer: a moderação é a arte de dar medidas, encontrar a medida certa do nosso encontro com as coisas. É tudo, no fim das contas, uma questão de doses, quantidades, de mais ou de menos. Por exemplo, um médico nos prescreve um remédio para melhorar nossa saúde, mas dependendo da dose este remédio pode nos matar. Fica a pergunta da moderação: Quando um antídoto começa a virar veneno? Ora, depende sempre dele ultrapassar uma determinada medida.

Sei o que me salva
Sei o que me mata
Só não sei a dose
Exata” – Arruda

Por isso precisamos da Lógica estoica, precisamos desta capacidade de entender nossos encontros dentro da complexidade do mundo. Precisamos entender a ordem dos acontecimentos, aprender a falar de maneira correta sobre eles, para descrever quando algo ultrapassa nossa natureza.

Moderação é a arte das medidas! Quais medidas? As medidas da nossa Natureza! Sim, a máxima estoica está sempre presente: Seguir a natureza. Pensemos por exemplo na natureza do nosso corpo, quando a comida que é boa para ele começa a tornar-se perigosa (excesso de açúcar, gordura, etc)? Compreender quando a concordância vira oposição é compreender a arte das medidas!

Não é um relativismo nem um universalismo. É a compreensão das misturas, dos temperos, dos limites. Tudo depende de organizar bem nossos pensamentos, torná-los coerentes com o movimento do mundo. Quanto menos conhecemos, mais podemos nos indispor. Quanto mais conhecemos, mais podemos tirar o melhor da situação. A moderação nos torna mais fortes, mais virtuosos, mais realizados, por isso é um dos pilares da sabedoria estoica.

Texto da série: Meditações – Marco Aurélio

Rafael Trindade

Autor Rafael Trindade

Quero fazer da vida o ofício de esculpir a mim mesmo, traçando um mapa de afetos possíveis.

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Elaine
Elaine
9 dias atrás

👏👏👏

Marcelo
Marcelo
9 dias atrás

Profundo!!!

Marcelo
Marcelo
9 dias atrás

não intidi muito não