Uma das produções mais importantes da filosofia moderna foi escrita em latim e de maneira geométrica. Axiomas, definições, demonstrações, corolários, proposições e escólios. Sim, filosofia exposta com a linguagem da matemática. Talvez por isso tantos tropecem e desistam logo nas primeiras páginas.

Alguns diriam que a Ética não é para ser lida, mas estudada. Entretanto, outros dizem que ela é a encarnação da potência pura do pensamento prático, quente como o fogo (Deleuze a considera o maior livro já escrito).

Mas realmente, não é fácil passar por entre axiomas definições e proposições sem algumas dificuldades. Por isso criamos esta série, com ela, esperamos esclarecer um pouco mais o percurso pela Ética.

Com nossos textos, provavelmente as trilhas fechadas se tornarão uma agradável caminhada. Na Ética, este caminho acelera passando pelos capítulos até chegar à velocidades descomunais. Sim, este livro é uma arma de guerra contra toda servidão, superstição, medo, isolamento, tristeza, niilismo.

À cada leitura, seguimos o caminho que vai de Deus para conhecer sua natureza, deixar a servidão e alcançar a liberdade. Para isso teremos como aliado a força do pensamento para regular os afetos e atingir uma perfeição cada vez maior.

Devemos, pois, nos dedicar, sobretudo, à tarefa de conhecer, tanto quanto possível, clara e distintamente, cada afeto, para que a mente seja, assim, determinada, em virtude do afeto, a pensar aquelas coisas que percebe clara e distintamente e nas quais encontra a máxima satisfação” – Espinosa, Ética V, prop 4, corol.

Não é um guia moral, não é uma bíblia, não é um manual do cidadão de bem, e está muito longe de ser um livro de auto-ajuda. A Ética é o livro dos homens livres.

Quem tenta regular seus afetos e apetites exclusivamente por amor à liberdade, se esforçará, tanto quanto puder, por conhecer as virtudes e as suas causas, e por encher o ânimo do gáudio que nasce do verdadeiro conhecimento delas e não, absolutamente, por considerar os defeitos dos homens, nem por humilhá-los, nem por se alegrar com uma falsa aparência de liberdade” – Espinosa, Ética V, prop. 10, esc.

Boa leitura:

Ética de Espinosa, ed. Autêntica, trad. Tomaz Tadeu
Ética de Espinosa, ed. Autêntica, trad. Tomaz Tadeu
  1. Deus
  2. A natureza e a origem da mente
  3. A origem e natureza dos afetos
  4. A servidão humana ou a força dos afetos
  5. A potência do intelecto ou a liberdade humana

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